Verso e Prosa

Bem gente, eu me sinto tentado a oferecer mais um tópico para o nosso debate: o Cordel! É possível que muitos de nós já tenhamos algum conhecimento! Mas por favor, não podemos ficar apenas com as definições dos Dicionários. Aliás, eu sugiro para o nosso Fórum, exatamente por discordar da importância que dão nossos dicionaristas... e você, qual a sua opinião?

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Respostas a este tópico

Cordel - história breve

Eu vou te contar depressa
Uma história do escarcéu
Devagarzinho, sem essa,
Feito uma nuvem no céu
Isto muito lhe interessa
É a história do Cordel!

Lá vou eu de feira em feira
Em um barbante amarrado,
Eu subo e desço ladeira
Num tabuleiro agarrado,
Dê ao autor dois reais
Que é valor bem empregado.

Feito de estrofes dolentes
Por um fio entrelaçado
Na ranjura dos meus dentes
Sobre o chão, admirado,
Ouvirão eu lhes dizer
Que Portugal é culpado!

Ouví um toque em segredo
De papel me pus em mão,
Meus versos feito torpedo
Escrevi rima e ação,
Eu sei, tremia de medo,
Era sextilha e quadrão.

Do Cordel se faz poemas
Soneto e Samba canção,
A Trova, o Coco de Atenas,
Rima surf com emoção
Cultura que vale a pena
É de alma e de coração!

De estrutura complexa
Há sextilha nos conformes,
A setilha faz o verso
Pela qual o Vate sofre,
Há um processo distinto
Na composição da estrofe.

Se você não entendeu
Esta larga confusão,
Não venha se aperrear...
Antes que alguém se irrite
Dê-me a Sanfona, acredite,
Eu agora vou tocar!!!

Quando eu abrir a Sanfona,
Você sabe o que acontece?
Não seja amigo cafona
Divirta-se, mas não esquece,
Vou abrir meus grandes baixos
Aqui, paga quem merece!

Isto é apenas uma degustação de como podemos conduzir um papo sobre o Cordel.

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Meu prezado Severino
De cordel sou aprendiz
Mas tive um grande mestre
A quem sempre admirei
Por tudo que faz e diz

È Raimundo Santa Helena
Fundador da Cordelbras
E na feira em São Cristóvão
Divulga o seu trabalho
E dá palestras em escolas
Sobre cordel e história

Seu pai era delegado
Da cidade Santa Helena
Foi invadida então
Pelo bando de Lampião

Sua mãe na barriga o trazia
E um ferro de passar na mão
Quando um jagunço a ataca
O ferro torna-se escudo
E a salva do facão

Corisco vendo o fato
Intercede então por ela
Que dá à luz ao cordelista
Que saiu aos 8 anos
De sua cidade natal
Com um canivete na mão
Tendo por meta a missão
Vingar a morte do pai
Morto por Lampião.

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Essa coisa dá história,
que do homem traz à memória
todos temos que lidar
pruma boa saga contar
nem que seja de mentira
do maracatu até a catira.

Deve ser assim que se começa uma pequena peça, não.

Fabio Alex

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Bom, meu caro Severino,
da poesia de Cordel eu não sei muito,
dela somente ouvi o canto.
Não tenho conhecimento
dessa bela tradição
aqui pras bandas do Espírito Santo

Verei o que posso fazer,
me comprometendo a tentar ajudar,
para que você possa trazer
e aqui divulgar essa Literatura
e o estudante capixaba aprender
as belezas de nossa cultura

Não sei se é assim Severino, mas eu tentei...! Aguarde notícias minhas. Abraços
Izabel

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eu também tentei

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Oi Izabel, boa tarde! Tem informação complementar "nova" sobre o Cordel na minha página. Vá lá e boa leitura.

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Grande Fabio Alex, legal a nossa interação! Começar, qualquer que seja a forma: completa ou incompleta, é o primeiro passo. Assim estamos caminhando com o pé no 3º milênio, não é mesmo? O grande barato da vida é poder experimentar conforme uma boa dose de maturidade, instinto e sensibilidade. Começou bem! Em postagem complementar posterior, darei algumas dicas sobre o Cordel.

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Cordel – estudo resumido.

Origem
O termo Cordel deriva de barbante e tem origem européia. Cordão, em Portugal, sempre foi Cordel. No Brasil, porém, jamais teve este significado. Mas como falamos de mais um modelo de nossa cultura que deriva da importação, assim nos acostumamos a chamala. Incorporando aos nossos costumes. E era assim chamada porque em feiras, os folhetos eram presos em barbantes e pendurados. Digamos que eram as prateleiras móveis da época.

O que é
Cordel é uma forma técnica de se fazer poesias em versos rimados. O Cordel é uma forma popular de se falar e viver a Cultura Popular. Aliás, diz a história que poetas com domínio absoluto da técnica, rimam todos os versos. Ainda bem que veio a semana de arte moderna que nos livrou dessa obrigatoriedade, no caso da poesia universal, digamos. Mas no Cordel, em obediência a regra, deve-se rimar versos entre si. Quando isso não acontece, dizemos que se quebrou o pé.

Como se escreve
Pode não parecer, mas num primeiro momento, o Cordel escrito em obediência as regras, torna-se exigente. Isso é bom para se sugerir uma qualidade ignorada pelos dicionaristas. Na idade média, onde se tem registros do Cordel, alguns autores não levavam em consideração algumas regras, isso talvez, de certa forma, explique o fato de os dicionaristas dizerem que o Cordel é literatura de pouco ou nenhum valor.
Já foi aceito de forma muito parecida com a Trova, que é uma quadra sobre um tema, sem titulo. Atualmente a forma mais elementar e de fácil assimilação, resume a seguinte forma: estrofes de seis (sextilhas) versos com sete silabas cada verso. Mas também pode ser escrita em setilhas, oitavas ou décimas.

Nuances
O que eu chamo de nuances do Cordel, pode mais facilmente ser entendido como as faces ou facetas deste modelo de Poesia Popular. Nossa escola, a escola institucional, ignorou por muito tempo a utilidade dessa modalidade de poesia. Mas o interior do Brasil sempre a utilizou com dividendos positivos quando aplicados de forma voluntária por professores para trabalhos extra classe. Como fui um desses alunos beneficiado por tal Cultura, posso assegurar que esse conhecimento me aguçou o interesse em vir a ser um dos produtores dela. É de meu conhecimento que em muitos municípios do Brasil, no Nordeste, os livretos já foram chamados de professor folheto, dada a sua importância, por ser o único material disponível.

Principais autores
Segue apenas quatro entre as dezenas de autores renomados: Leandro Gomes de Barros, Patativa do Assaré - falecidos, Mestre Azulão e Gonçalo Ferreira, este ultimo, fundador e presidente da ABLC.

A quem se destina
Nossos autores (re)contam as noticias e fatos, segundo a sua interpretação, com o ganho dos floreios poéticos. Isso faz a Literatura de Cordel útil para um público variado, haja vista que há crianças escrevendo Cordel. Isso ocorre com muita freqüência em escolas no interior do Brasil. Eu tenho em minha Cordelteca particular, exemplares escritos por alunos de uma escola publica de Campina Grande na Paraíba.

• Títulos mais famosos
Depois eu listo os mais famosos títulos.

Onde encontrar
Bem, não será tarefa difícil encontrar publicações da Literatura de Cordel. Vou lhe dar apenas o indicativo de dois ou três lugares onde os encontramos com farta variação de títulos e autores. São esses lugares: - Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Literatura de Cordel sito a Rua Leopoldo Fróes, 37 – bairro de Santa Tereza – telefone (21) 2232-4801. Site: www.ablc.com.br ou pelo e-mail: contato@ablc.com.br . Feira de São Cristóvão de 5ª feira a domingo e na livraria Graúna com o amigo Leônidas. Em Pernambuco: - na feira de Caruaru. Nos estados do nordeste, em quase todas as feiras livres, é possível encontrar alguém com um tabuleiro abarrotado de folhetos.

Xilogravuras
Um detalhe que chama a atenção: nem todos os Xilogravuristas se reconhecem como artistas. Por isso, a meu ver, não se davam o devido valor a esta modalidade de arte.

O que se faz hoje
O que se faz hoje em favor desta cultura e arte de escrever a modalidade ou vertente poética, nada mais me parece ser do que zelar pelo futuro estritamente original, necessário a preservação.

Em tempo: este pequeno resumo é tão minúsculo diante do que se tem para falar do Cordel, que pode representar apenas uma frase ou nem isso. Mas é inicialmente a minha contribuição sobre esta arte popular.

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Grande Severino Honorato.
A referida literatura chegou ao Brasil no século XVIII, através dos portugueses, é fato. Só que não há quem encontre nas edições impressas até 1962 + ou -, o termo “Cordel” escrito nos livretos, até então, eram popularmente chamados de folhetos ou simplesmente de romances.
Nos dias de hoje, podemos encontrar este tipo de literatura, principalmente no Nordeste do Brasil, mas aqui em São Paulo, tem também um forte movimento com maravilhosos cordelistas, com boa produção de folhetos e livros obedecendo todos os preceitos métricos.
E também o chamado cordel nas escolas, difundido por diversos poetas. Por ultimo, nos meses de Fevereiro e Março, a agenda cultural da cidade, estará repleta de oficinas, com mestres como: Marco Haurélio, Costa Senna, João Gomes de Sá e Varneci Nascimento, entre outros.
E sem contar a dedicação da Livraria Cortez por essa arte, acolhendo vários autores, daqui e vindos de outros estados, que lançam e divulgam suas obras lá.
Abraços

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Beleza Pedro! Eu entrei aqui, agora, só para pedir que divulgue o site da Cortez. Não fiz isso no momento da postagem porque não tinha na memória, mas tenho conhecimento desse movimento de alto padrão em defesa e difusão do Cordel em Sampa. Aliás devo pedir desculpas por não ter citado São Paulo. No caso dos poetas citados, eu os conheço e, nesse blog por exemplo, há o Cacá Lopes, grande Cordelista com lançamentos recentes. Abraços, e que continuemos.

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Olá rapaz, foi bom encontrar você por aqui, deixei um recado pra você no overmundo.
Abraços

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O que sei são as histórias que minha mãe contava pra gente dormir, e que eram a reprodução dos livrinhos vendidos nas feiras da cidade onde ela nasceu. No meio das histórias tinha música, versos toscos, de príncipes e cavaleiros, princesas e mouras, encantados e bruxas. Depois também ela contava os desafios do cego Ederaldo. E as peripécias do Lampião e do cangaço. Quando ela ia visitar os parentes em Natal voltava com livrinhos de cordel. Eu era doida por leitura e devorava num sopro. Alguns eram proibidos, porque falavam de coisas que "criaança não entende". é isso que sei até hoje. Virou moda um tempo no Sur Maravilha, mas agora não tem mais.

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