Pesente ausência
Tem gente que se faz notar pela presença.
Gargalha, flerta, seduz, invade, concorda, discute.
E vai embora.
Como é mesmo o nome dele, aquele com um sapato engraçado?
E daquela que se sentou na primeira fila, de vestido curto?
Tem gente a quem basta o som da própria voz,
ou as respostas que tem para as perguntas que faz.
É essa a gente que depois vai embora.
Da cena e da memória.
Sobra vestígio nenhum de terem estado.
Nem saudade.
Não há mesmo lembrança que os hospede.
Estouro de bomba junina,
andorinha de um único verão...
Tem gente assim.
Que dura uma vez só.
Mas tem ausência que só faz lembrar.
Que falta alguém que, afinal, está lá.
(cadeiras vazias registram presenças...)
Blog de Cinthia Nunan Baptista Kriemler
Sonha,
enquanto a realidade te cair em cima, furiosa.
Sonha,
enquanto a verdade desse dia a dia te massacrar, impiedosa.
Sonha,
enquanto a crueldade do cotidiano te puser em risco.
Sonha,
enquanto a sinceridade toda deste mundo humano te fizer maldades.
Então,
quando não mais te importar ou te ferir a vida,
para de sonhar e te torna um deles,
mais um que finge não saber sonhar.
Postado em 16 novembro 2009 às 11:32 ‚Äî 2 Comentários
Se há medo, não sei.
Afoguei tremores, temores
na água funda da banheira
cheia de espuma e lágrimas.
O sorriso de batom que desenhei
lembra um palhaço triste,
alguém que eu queria ser de mentira.
Os olhos borrados de preto
são filhos de madrugadas em vício
e de copos quebrados.
Esqueço o vermelho e o negro
pela manhã,
depois que morro.
Postado em 10 novembro 2009 às 23:19 ‚Äî 2 Comentários
Nas pontas dos dedos
Formigas passeiam em labor de operárias,
Ditando palavras ao papel.
Perfilam-se,
Desorientam-se em fuga,
Escondem-se em frestas, sulcos
E transformam migalhas em banquete.
Nas pontas dos dedos
Formigas passeiam em labor de operárias,
Sem dia, sem hora, sem sono.
Postado em 27 outubro 2009 às 0:21 ‚Äî 3 Comentários
Rio todos os risos que este dia me permite,
porque sei que nunca se repetem os dias assim.
Amanhã, posso ter lágrimas no olhar,
ou medo.
Posso ter solidão,
ressentimento.
Amanhã, posso não ter nada, não ser mais nada.
Rio todos os risos que este dia me concede,
porque sei que nunca partem da memória os dias assim.
Amanhã, posso querer lembrar felicidade,
ou amor.
Posso sentir saudade,
embriaguez.
Por isso rio agora todos os risos que este dia me permite.
Postado em 23 outubro 2009 às 0:38 ‚Äî 3 Comentários
Caixa de Recados (8 comentários)
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Beijão e obrigada pelo carinho!
Percebo que, especialmente em termos de conteúdo, entre nossos textos existem muitas afinidades! Acho isso muito legal! Seu poema "Escorro" é belíssimo e fala muito para mim e de mim! Parabéns pela sensibilidade!
Beijos, muitos!!!