Nada melhor que iniciar as postagens com um poeta mineiro e juizforano. O texto foi publicado no meu antigo e extinto blog, Banana&Etc, em setembro de 2004.
Pedro Nava - memorialista de rara grandeza"Tal qual Proust, de quem foi assíduo leitor, Nava começava a trazer à tona o que estava submerso, a abrir o baú da memória, a exumar e a reanimar seus mortos. No lugar da madeleine e da chávena de chá proustianas, os doces de coco, o cheiro do cravo, a carne, a banha e o sabor de porco que toma toda a comida mineira, a batida do Ceará, a rua do Ouvidor, a topografia de Juiz de Fora.
Com sua escrita abarrocada, o escritor mineiro passa de um assunto a outro - da geografia das cidades à vida burguesa, dos retratos familiares à vida política e intelectual, da culinária à medicina e aos costumes de época - e tudo isso feito com tamanha habilidade verbal, com tantos sentidos que vão se somando, que o leitor deixa-se levar pelo mar de palavras, quase sem se dar conta da colcha de retalhos tecida." (Jornal da USP)
Feijão-de-tropeiro(...) Vinham as frigideiras, os caldeirões, as panelas de ferro e as panelas de pedra, os ganchos, as trempes, as colheres de metal e as colheres de pau, os garfos e os espetos, as facas e os trinchantes, as cafeteiras, as chaleiras, os sacos de fubá, de feijão, de farinha, os amarrados de linguiça, do porco salgado, do toucinho, os embornais com temperos, queijos, rapaduras e o milho das bestas. Nas paradas os homens descansavam pitando, a negrada ajuntava lenha e acendia o fogo, as mulheres e as escravas preparavam a comida. O angu, que, mole ou duro, se combina com o feijão, com o arroz, com a carne e cujo único tempero deve ser o sal, assim mesmo pouco, para não alterar o gosto do que o vai acompanhar. O que sobra é cortado em fatias, que, fritas, são o pão do mineiro de cada dia.
O feijão servido com bastante sal durante as paradas é levado em caixetas atulhadas e em cujos intervalos se escorreu a banha derretida, que endurece e não deixa azedar a massa cozida na hora, vai tudo para a frigideira, a banha derrete-se, solta e refoga as pévides com mais a cebola, o alho, o cheiro-verde, a salsa e muita pimenta. Rola-se na farinha que se embebe de gordura, mas não pode ficar empapada - antes móvel, toda untada e toda desgrudada. Come-se com o ovo frito, a linguiça frita, o lombo frito e o torresmo totêmico. Repete-se antes de acabar. Parece fuga de Bach. É de chorar... Obra prima de simplicidade romântica, o nômade feijão-de-tropeiro das Minas rivaliza com o floreado gótico da sedentária feijoada completa - honra e glória da culinária do Rio de Janeiro.
E os queijos? Moles, escorrendo soro, curados, escorrendo manteiga, os pastosos, do Serro, os duros, do Arassuaí. Todos ficam elásticos e dão turvações de sépia ao café forte fervido com rapadura e que deixa nas tigelas veios em relevo lustroso, como as lascas de uma pintura japonesa. Uma lambada de pinga de Januária e pronto! Vamos, tudo a cavalo, cinturas no molejo e bunda de ferro para as léguas e léguas de campo e mata e várzea e monte...
Pedro Nava, em "Baú de Ossos"
Caixa de Recados (24 comentários)
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Abraços carinhoso pra ti.
Abaixo um link pra quem gosta de boa musica.
http://www.youtube.com/watch?v=Kh3nGBwFJdg
Abraços e boa semana.
É LÓGICO QUE EU SOU. humpf.
Obrigada pelos votos!
Meu dia foi maravilhoso :o)))
(( estou mexendo na sua página, lá no blog da Chefia agora, vamos ver se descubro algo ))
beijoooooooooooooooo
Beijos de volte sempre. Quando vier zoar com Tadeu, passa aqui para brincar comigo.
:-)
passando por aqui para dizer um ........ oiiiiiiiiiieeeeeeeeee! ;-)
Perdeu meu mail, foi? Dê notícias suas!
Bjs
Esta saudade só nossa
que surge sem se esperar,
faz-nos voltar ao passado,
brota em qualquer lugar.
Nascendo de uma lembrança
por um dos nossos sentidos,
emerge de onde descansa.
Por uma imagem ou ruído,
um sabor, cheiro ou de um toque,
trás à mente uma saudade
à que a sensação convoque.
Despertados num momento
que aqui, até abrevio,
de algo que já foi gravado
no decorrer da existência,
trás sensação de vazio.
Mas, na verdade acredito,
que a saudade dá vazão;
com fragmentos lembrados
em Tabula Rasa gravados
alimentando a ilusão.
Benedita Azevedo
Uma linda semana para vc.
Beijos
Inarinha
Bom dia
Sei que Tu que gosta de boa musica, com certeza vai gostar desta.
http://link.brightcove.com/services/player/bcpid271552717?bctid=1913313052
Abraços, e bom domingo
Mário Mendonça
Desculpe a demora da resposta. O Ano Novo foi ótimo mesmo.Depois te conto melhor. Que o ano de 2009 seja um marco de realizações para você!
Bjs,
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