Verso e Prosa

Inês Alves da Mota
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passarinho morto.jpg Reconheço que fui negligente. Porém, sempre pus à sua disposição os alimentos mais saudáveis. Oferecia pedaços suculentos de manga, fatias de banana e melancia, rodelas de abacaxi, cubinhos de melão e mamão e saborosas uvas....
outubro 30
junho 28
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20 gramas do cheiro da lata de biscoito da sua infância; 10 gramas do cheiro do lençol velhinho lavado na pedra; 30 gramas da emoção que era a odisséia de ir de férias pra casa do avô; 20 gramas dos sons difusos e misteriosos das conversas dos a...
maio 29
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Fi-lo não nego. Renego o tardio parto o rebento indigente medíocre anómalo ousado em roupa de ralo pano. que fio tão ordinário urdiu obtusos versos?
maio 25
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A Clepsidra pinga hora dia mês tempo. Anos são cachoeiras. Sólido oceano, sal. Clausura da vida. O olhar incauto, fosco libera a gota, o tredo líquido. Dissoluto em reação o espírito vaga estéril no cosmo. Resignado espera o recomeço do ciclo.
maio 24
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Diseño del blog de Pau Valls El hombre que aprendió a ladrar (Mario Benedetti (Paso de los Toros, 14 de septiembre 1920 - Montevideo, 17 de mayo 2009) Lo cierto es que fueron años de arduo y pragmático aprendizaje con lapsos de desaliento en los ...
maio 20
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maio 14
Inês Alves da Mota é agora um membro de Verso e Prosa
maio 14

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URL de Blog ou Página Pessoal
http://softvelvet.blogspot.com/
Endereço de mensagens instantâneas (MSN ou Skype)
ines_mota1@hotmail.com (Msn)
Email
ines_mota1@hotmail.com

Fantástico Realismo

(imagem: Rob Gonsalves)

Nos dias nublados, a menina gosta de subir até o seu balanço no galho mais alto da cajaraneira, porque dali pode saber tudo sobre histórias reais.

Vó Chiquinha chama porcos e galinhas com um cuxe, cuxe, um tico, tico, tico. Vaidosas, elas não querem molhar a plumagem e logo se empoleiram, ao ouvir do Vô Joca que o pai da coalhada anuncia um pé d´água. O porco Joaquim, coitado, que ficou surdo com o barulho da bigorna do Janúncio, nesse dia não voltou ao chiqueiro. Nem nesse dia nem nunca mais. Dizem que anda de bicicleta na Granja do seu Ramiro, entregando cartas nas redondezas.

Um vento azulzinho de anil, passa correndo, vindo da casa de tia Maria e assobia a música preferida dela:
Seu Zé Paraíba / Seu Zé das "'criança"
Foi pro Paraná / Cheio de esperança
Levou a "muié" / E seis barrigudinhos
Pedro, Joca e Mané / Severina, Zefa e Toinho...

No norte do Paraná / Todo serviço enfrentou
Batendo enchada no chão / Mostrou que tinha valor
Dois anos de bom trabalho / Até cavalo comprou
(...)
Se nordestino é pesado / É do ofício cavar
É como diz o ditado: / "Corda só quebra no fraco
Deus quando dá a farinha / O diabo vem e rasga o saco"

Aquele fogo maldito / Que o Paraná quase engole
José brigava com ele / Acompanhado da prole
Vosmecê fique sabendo / Que José nunca foi mole

Depois de tudo perdido / José voltou pro ranchinho
Foi conferir os "menino" / Tava faltando Toinho
Voltou em cima do rastro / Gritando pelo caminho
Cadê Toinho...
Cadê Toinho..."


A libélula gigante transporta o sapo-cururu que vai pra festa no céu e desce pra descansar um bocadinho na folha enferrujada da bananeira que caiu de fraca porque tomou clorofila e foi dormir na sombra. Todos os vagalumes da comitiva que alumiam o caminho também apagam as luzes e se deitam, observados pelos olhos enormes dos girassóis que usam relógios atrasados e pensam que ainda é dia.

Uma rodilha de cobras cascavéis cai dentro da rede do irmão pequeno e a menina a retira com um pau e as mata bem matadinhas. Se arrepende quando percebe que elas vão ter filhotes e lhes devolve a vida. Mas antes, pede que elas não venham mais assustar o irmão. Se teimarem, vão morrer de verdade, porque dessa vez não sobrou nada da varinha de condão. A mãe usou os pedaços como gravetos para acender o fogo de lenha.

Antes do café da manhã, a menina e os irmãos comem o sereno da noite misturado com orvalho, cebola branca, asas de anjos de açúcar, pedacinhos de estrelas cadentes e migalhas de lua cheia. Assim, garante a mãe, os meninos não morrem afogados no riacho. Nem também de bexiga, ou de sarampo e muito menos de papeira e mau-olhado.

A vaca malhada mastiga e remastiga uma moita de mastruz e espera deitada enquanto ouve uma cantiga pra boi dormir, que o pai venha tirar o leite que vai curar a perna da ovelha Belinha e o braço quebrado do primo Davi. Quando o tio Amor mata a Belinha pro casamento da Rita, encontra a linha verde-escuro que costurou o osso da ovelha. O Primo David ainda vive até hoje.

A rouxinol, que fez seu ninho na cabaça pendurada no brabo da cozinha, (o que tem pregada a foto desbotada do Jânio com a Vassoura) vem reclamar chorosa que o gato mourisco comeu todos os seus filhotes recém-nascidos. O pai castiga o gato e o faz virar o biscuit que enfeita o petisqueiro e ainda é obrigado a vigiar para que os ratos não comam a compota de goiaba. Os rouxinóis, consolados, namoram no pé de juazeiro.

A menina sabe que a palavra aluno, que a professora Terezinha pronuncia na escola dos meninos grandes, não é outra coisa senão uma plantação enorme de guarda-chuvas feitos com papel prateado de carteiras de cigarros, que pendem vertiginosamente do teto da sala da casa de dona Cléa e encandeam os olhos.

Seu Nonô passa com um balaio de pão doce, cuscuz e solda preta. A menina bebe todos os cheiros dos acepipes e os guarda consigo ainda hoje. Seu Nonô passou a vender pamonha, chouriço e cavaco chinês. Desconfiado, se benze todo quando passa na estrada e não chega nem perto da casa da menina.

Uma nuvem em forma de elefante passa rente ao pé de favela e fura a barriga. Chora tanto que rega a horta de cebolinha da mãe e a plantação de milho, feijão e melancia do seu Emídio. É consolada pelo sol, que abre o olho e a convida pra brincar de pintar arco-iris até o céu ficar escuro e acabar toda a tinta.

O calango verde e gordo come todos os melões caetanos enroscados nos arames da cerca e a mãe quase morre de susto quando o encontra bem amarelinho dentro do jerimum que cozinha pro jantar. Ele foge apressado, cai dentro da tina de novelos de fios da tecelagem e sai verdinho da silva de novo.

O beija-flor entra apressado pelo ouvido da menina e sai pela sua retina, indo comer o mel da flor do algodão e da chanana. A menina, por isso, só gosta das flores vivas. Para ela, receber flores arrancadas do pé é o mesmo que ganhar arame farpado. E arame farpado para ela é algo que machuca.

A mãe reclama: Menina, já é noite e vai chover. Desça já daí e entre pra dentro, senão você vai virar poeta feito seu pai. Você não me ouve, menina?
A menina ouve.
A menina desce.
A menina ouve e desce e entra
A menina ouve, desce e entra... e se arrepende.

O pai continua poeta.
A menina não sobe mais em árvores. Constroe castelos lúdicos e com cacos de espelhos d'água monta novas histórias

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Inês Alves da Mota

Morreu como um passarinho

Reconheço que fui negligente.
Porém, sempre pus à sua disposição os alimentos mais saudáveis.
Oferecia pedaços suculentos de manga, fatias de banana e melancia, rodelas de abacaxi, cubinhos de melão e mamão e saborosas uvas.
Tentei seduzi-lo com mingau de aveia, pão integral de 12 grãos, granola light com canela e mel, tofu e farelos de soja. Ele rechaçava tudo com o maior desprezo.
Então, deixei-o à vontade.
Irrompia como uma flecha pela minha janela e só tinha olhos mesmo para o gorduroso quei… Continuar

Postado em 30 outubro 2009 às 11:30 ‚Äî 2 Comentários

Inês Alves da Mota

Receitinha light para consumo diário


Imagem:Net.
Reservou:
20 gramas do cheiro da lata de biscoito da sua infância;
30 gramas da odisséia que era ir de férias pra casa do avô;
20 gramas dos sons difusos e misteriosos das conversas dos adultos ao anoitecer;
10 gramas do gosto das chupetas roubadas da boca dos irmãos mai… Continuar

Postado em 29 maio 2009 às 14:00 ‚Äî 1 Comentário

Inês Alves da Mota

Epifania

Defrontei-me ao acaso
com uns versos "meus"
que nunca ousei escrever.
soberbo poema
repousava agora em belo coxim
de bordado epíteto
"Exercício poético"
se não escrevi
tampouco o subscrevi.
concepção sutil
o suscitou
mão mais destra
o trasladou, configurou
firmou.
Da minha coletânea tão vasta
- tenuíssima poeira dispersa -
raros verbos se saturam
e precipitam-se
sucubem trôpegos
ante meus lápis
maculam meu papel de pão
Mas só quando chove
ou faz lua cheia.

Postado em 26 maio 2009 às 17:00 ‚Äî 1 Comentário

Inês Alves da Mota

Natimorto

Fi-lo
não nego.
Renego
tardio parto
o rebento
indigente
medíocre
anômalo
de vestes tão ralas
de tão tosco pano.
que fio ordinário
urdiu
obtusos versos?

Postado em 25 maio 2009 às 17:30 ‚Äî 3 Comentários

Inês Alves da Mota

Ciclo

A Clepsidra
pinga
hora
dia
mês
ano
tempo
sólido oceano de sal
clausura.
O olhar incauto
fosco
libera a gota,
o tredo líquido.
Dissoluto em reação
o espírito
vaga estéril no cosmo.
Resignado, espera
o recomeço do ciclo
o perenizar da dor.

Postado em 24 maio 2009 às 13:00 ‚Äî 2 Comentários

Caixa de Recados (7 comentários)

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Às 23:26 em 27 maio 2009, Marcilio Medeiros disse...
Inês,
obrigado.
somos da mesma cidade, mas saí de lá aos quatro anos.
normalmente, em junho e dezembro, volto para ver família e amigos.
abs
Às 0:09 em 27 maio 2009, Marcilio Medeiros disse...
Inês,
bem-vinda e um abraço potiguar prá você.
Às 14:43 em 18 maio 2009, francisca alves mota disse...
Oi maninha obrigada pelo convite...Aqui estamos,beijos
Às 15:38 em 16 maio 2009, fabio souza disse...
oi obrigado por me add !

bju e muito sucesso!!
Às 15:46 em 15 maio 2009, Eduardo Ramos disse...
Bem vinda, Inês! Obrigado pelo convite, é um prazer aceitá-lo. Bjo.
Às 22:04 em 14 maio 2009, romério rômulo disse...
inês:
te trago as boas vindas.
romério
Às 13:07 em 14 maio 2009, Renata disse...
Cara Inês

Bem vinda à Comunidade Verso & Prosa!

Você pode participar publicando coisas em seu blog - que é mais modesto que um blog do tipo Wordpress, mas aqui atende bem ao objetivo dele... As mensagens de blog mais recentes vão sendo destacadas na home page.

Pode adicionar também vídeos, fotos e músicas! preferencialmente, sugiro que usem links para adicionar estes arquivos, evitando sobrecarregar o espaço da Comunidade, pois dispomos de "apenas" 10Gb de espaço para todos.

Você pode alterar a aparência e o layout da sua página pessoal. Para aparência, escolha alterar tema. Para o layout, é só passar o mouse sobre as barras coloridas e verá que pode arrastar as caixas para lá e para cá, com algumas restrições próprias da ferramenta.

Nós também temos usado muito as caixas de recados das páginas pessoais. Sinta-se à vontade em cair de pára-quedas e pegar as conversas no meio. Aqui, não há "panelas" e todos vão se conhecendo assim, na cara de pau, mesmo. Palpitam lá e cá, assim, todos acabamos nos conhecendo. O clima é bem informal aproveite!

Colabore, participe, divirta-se!
 
 

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