Ser poeta
Tênue idéia
Lançar um olhar lírico sobre dores e amores
Sorver e absorver a essência das aparências
Abismar-se diante dos abismos existenciais
Pontuar as possibilidades, ou a falta de
Arremeter a alma ao céu quando for impossível pousar
Pousar quando for imprescindível
Deixar espaços em branco nas margens e entrelinhas.
Abusar das exclamações, interrogações e reticências...
Um eterno não dar conta...
Izabel Lisboa ========================================================
“Assim é ele”
Olhar mais lindo do mundo
Puro cristal
O mar, o céu e a terra estão contidos nele
Um coração rebelde
No fundo calmaria
Sempre em busca
Querendo agarrar a vida pelo colarinho
Diante da morte o Espanto
Absurdo...
Livre e achando-se tão prisioneiro
Coração quase arrebentando
de tanto amor e de tanta dor
Assim é ele...
Izabel Lisboa ========================================================
Eis a razão dos meus poemas
Para que não te esqueças
dos meus beijos
dos meus olhos
e do meu desejo
e de cada afago
daquela nossa emoção
só nossa
e da minha saudade
e do meu amor constante
eis a razão dos meus poemas
Nossa terna comunicação
nosso oásis em meio à seca
uma ponte que nos faz um
que encurta nossa trágica distância
eis a razão dos meus poemas
E quando chegar o frio
e quando a dor no peito apertar
e não me tiveres por perto para te acalentar
eis a razão dos meus poema
E quando quiseres voltar
mas o rumo que traz até mim
você não encontrar
eis a razão dos meus poemas
que fiz para te nortear
Izabel Lisboa ========================================================
“Fala”
Não te cales
Por favor não te cales
É desse amor que tu falas que eu conheço
Sem metáforas exuberantes
Sem aristocracias ou erudições
Tu falas uma linguagem nossa
É de nós que tu falas
Essa é a nossa língua
Inventamos juntos nossos conceitos
Apenas te peço para não sufocarmos nosso recíproco desejo
É a densidade de Eros em ti e em mim que eu almejo
Que transpareçam escancarados em nossa fala
o amor o lirismo e o desejo
Eunucos e vassalos da linguagem em nada nos trarão proveito
Sob o fogo de tua ardente fala eu me aqueço
meu corpo inflama-se
Eu também não emudeço
Meu corpo entende tua linguagem
Em ti me reconheço
E se partilhas comigo o veneno que fabricas em tua língua
inebriados ambos morreremos satisfeitos
De amor... De lirismo... E de desejo
Bel Lisboa ===================================================

Como?!
Homens tolos
Matam crianças
As interiores... Depois as outras...
Pensem...
Pensem nas crianças
De Auschwitz
de Hiroshima
da Palestina
nas das esquinas
do mundo inteiro
Pensem...
Como criança
pensem...
Homens tolos
Matam crianças
As interiores... Depois as outras...
Izabel Lisboa ========================================================
"Sinto sua falta"
Como as pedras sentiriam a falta de um caudaloso riacho
que secou e nunca mais às tocará
Sinto sua falta
Como as flores sentiriam a falta do calor do sol
às aquecendo em seu desabrochar
Sinto sua falta
Como o mar sentiria a falta das areias da praia
para deslizar sobre elas e repousar
Sinto sua falta
Como a noite escura sentiria a falta da luz do dia
que demorasse a clarear
Sinto sua falta
Como o exilado sentiria a falta de sua terra distante
supondo que não mais a verá
Sinto sua falta
Como Neruda sentiria a falta do papel e da pena
sem as quais não lhe seria possível criar
Sinto sua falta
Mesmo que para sempre tenha ficado em mim impregnado seu perfume
Ainda assim sinto sua falta
Que esse doce perfume só faz agravar
Bel Lisboa ========================================================
CORRENTES E CORRENTEZAS Na dureza do ferro sob o ardor das chamas
Forjam-se e entrelaçam-se os nós
em elos e elos e estranhas junções
formam-se as correntes de sombrias prisões
É usurpada covardemente a liberdade
Atam-se as mãos e serram-se os lábios
O espaço fica restrito por grilhões malditos
Ah! Como quisera ele sentir novamente a brisa de outrora
o frescor das areias molhadas dos fins de tarde
Descobrir novas trilhas que levem ao vasto mar de seu eu
Na força de suas correntezas quisera outra vez se lançar
Deixar-se deslizar como flor sobre a leveza das águas
Livremente ir e deixar-se levar
Sem bagagens ou sabotagens
Apenas escoar
Sem medo de ir ao encontro de seu extenso mar
Mergulhar na sedutora melodia de suas águas claras
E se encontrar entre as ondas de seu íntimo e caudaloso mar
Izabel Lisboa ========================================================
SÓS
Almas insanas
Sem redes de proteção
Suspensas nos trapézios da vida
Em saltos e sobressaltos
Em malabarismos
E contorcionismos
Incomensurável devir
Almas que se lançam no espaço infinito
Despidas de ilusões e falsas paixões
Em cada salto um abismo
Deslocamentos e desconexões
Almas peregrinas projetando-se na escuridão
Experiência extra-ordinária
Trânsito livre entre a vida e a morte
Terrível perigo é o ser livre
Como em labirintos feitos de becos e esquinas
Sem projetos ou projeções
Aguardando o inusitado
o instantâneo
Assim vão aqueles que trilham lucidamente a jornada
Irremediavelmente Sós
Izabel Lisboa ========================================================

Sísifo de Max Klinger Coragem de super-homem
Lançar-se à própria sorte,
ressurgir das cinzas.
Reconhecer-se ferida...
Doloroso auto-reconhecimento.
Desvirtuoso
e lúcido.
Santidade nula.
Derradeiras pausas,
antes de derradeiros golpes.
Raio silencioso,
prelúdio ao trovão.
Língua navalha,
derribador de mentiras,
demolidor de enganos.
Conseqüências da valentia.
Puro vigor... Audácia...
E dor.
Izabel Lisboa ========================================================

Desconfiem daquele que diz não querer ser mestre,
mas que não abre mão de ser a palmatória do mundo...
O que dá no mesmo!
Izabel Lisboa ========================================================

Como a culpa e o sofrimento fragilizam o ser humano...!!!!
Caixa de Recados (114 comentários)
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Querida poeta:
Ufa...com tantos afazeres, só agora pude dar um pulinho aqui pra desejar um Natal iluminado e um Ano Novo cheio de saúde, paz, sucesso e prosperidade, à você e toda família!
Que em 2010 você encha esta Casa com muitos e muitos poemas, lindos lindos como você!
Bel Querida,
Feliz Natal! Que 2010 sorria para você como você está sorrindo bonito para a vida. Muita paz, crescimento, inspiração e excelentes realizações para os próximos tempos.
Tintim! Saúde!
Beijos.
Saúde, poeta!
aquele tipo de manhã que nos deixa também indecisos entre um bom livro e o futebol.
Passei algum tempo afastado e vim para dar uma atualizada. Tudo muito bonito, principalmente o "Ser Poeta", magnífico. Veja que eu também fiz um poema com o mesmo título: http://badebugigangas.blogspot.com/2009/12/ser-poeta.html
Adorei também o álbum de família. Essa senhora de cabelos brancos lembrou muito minha mãe (26 anos já sem ela...). Diz pra ela que a achei muito bonita. É sua mãe?
Um Feliz Natal e 2010 cheio de tudo que é bom pra você e pressa turma aí!...
Beijos!
Mensagem de agradecimento:
Obrigado a todos vocês eloqüentíssimos amigos de V&P rS!!! pelo apoio e por claro por escreverem >_< quanta inspiração *-*!!! Grande abraço Lara'Ko
Passei por aqui pra dar um alô e dizer que a-d-o-r-e-i os porquinhos lá no comentário ao post do Zarf: tô rindo junto com eles! (rss).
Menina, cê é a nova Renata do pedaço, vive mudando de cara! (mas esta tá bem legal- a anterior também, como lembrou a Cris. Eu é que tenho que arranjar uma fotinha lindinha que não seja aquela "procura-se" das carteiras (rss) - tenho um monte dessas, que decepção! (rss)
Beijão e ótimo resto de semana procê!
Bjs
Cris
dia de Bel de cara nova
linda linda linda
a carinha nova da Bel.
Não sei se chamo pra uma valsa
ta debutante que só!
Não sei se espero no altar
Bel de noiva
buquê de noiva
buquê de Bel
Bel, que sorriso!
É até maldade
sorrir assim de lado
devia sorrir pra mim.
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