Verso e Prosa

Izabel Lisboa
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Fragmentos de minh'alma...

Ser poeta

Tênue idéia
Lançar um olhar lírico sobre dores e amores
Sorver e absorver a essência das aparências
Abismar-se diante dos abismos existenciais
Pontuar as possibilidades, ou a falta de
Arremeter a alma ao céu quando for impossível pousar
Pousar quando for imprescindível
Deixar espaços em branco nas margens e entrelinhas.
Abusar das exclamações, interrogações e reticências...
Um eterno não dar conta...

Izabel Lisboa

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“Assim é ele”

Olhar mais lindo do mundo
Puro cristal
O mar, o céu e a terra estão contidos nele
Um coração rebelde
No fundo calmaria
Sempre em busca
Querendo agarrar a vida pelo colarinho
Diante da morte o Espanto
Absurdo...
Livre e achando-se tão prisioneiro
Coração quase arrebentando
de tanto amor e de tanta dor

Assim é ele...

Izabel Lisboa

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Eis a razão dos meus poemas

Para que não te esqueças
dos meus beijos
dos meus olhos
e do meu desejo
e de cada afago
daquela nossa emoção
só nossa
e da minha saudade
e do meu amor constante
eis a razão dos meus poemas
Nossa terna comunicação
nosso oásis em meio à seca
uma ponte que nos faz um
que encurta nossa trágica distância
eis a razão dos meus poemas
E quando chegar o frio
e quando a dor no peito apertar
e não me tiveres por perto para te acalentar
eis a razão dos meus poema
E quando quiseres voltar
mas o rumo que traz até mim
você não encontrar
eis a razão dos meus poemas
que fiz para te nortear

Izabel Lisboa

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“Fala”

Não te cales
Por favor não te cales
É desse amor que tu falas que eu conheço
Sem metáforas exuberantes
Sem aristocracias ou erudições
Tu falas uma linguagem nossa
É de nós que tu falas
Essa é a nossa língua
Inventamos juntos nossos conceitos
Apenas te peço para não sufocarmos nosso recíproco desejo
É a densidade de Eros em ti e em mim que eu almejo
Que transpareçam escancarados em nossa fala
o amor o lirismo e o desejo
Eunucos e vassalos da linguagem em nada nos trarão proveito
Sob o fogo de tua ardente fala eu me aqueço
meu corpo inflama-se
Eu também não emudeço
Meu corpo entende tua linguagem
Em ti me reconheço
E se partilhas comigo o veneno que fabricas em tua língua
inebriados ambos morreremos satisfeitos
De amor... De lirismo... E de desejo

Bel Lisboa


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  Como?!

Homens tolos
Matam crianças
As interiores... Depois as outras...

Pensem...
Pensem nas crianças
De Auschwitz
de Hiroshima
da Palestina
nas das esquinas
do mundo inteiro
Pensem...
Como criança
pensem...

Homens tolos
Matam crianças
As interiores... Depois as outras...

Izabel Lisboa

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"Sinto sua falta"

Como as pedras sentiriam a falta de um caudaloso riacho
que secou e nunca mais às tocará
Sinto sua falta
Como as flores sentiriam a falta do calor do sol
às aquecendo em seu desabrochar
Sinto sua falta
Como o mar sentiria a falta das areias da praia
para deslizar sobre elas e repousar
Sinto sua falta
Como a noite escura sentiria a falta da luz do dia
que demorasse a clarear
Sinto sua falta
Como o exilado sentiria a falta de sua terra distante
supondo que não mais a verá
Sinto sua falta
Como Neruda sentiria a falta do papel e da pena
sem as quais não lhe seria possível criar
Sinto sua falta
Mesmo que para sempre tenha ficado em mim impregnado seu perfume
Ainda assim sinto sua falta
Que esse doce perfume só faz agravar

Bel Lisboa

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CORRENTES E CORRENTEZAS

Na dureza do ferro sob o ardor das chamas
Forjam-se e entrelaçam-se os nós
em elos e elos e estranhas junções
formam-se as correntes de sombrias prisões
É usurpada covardemente a liberdade
Atam-se as mãos e serram-se os lábios
O espaço fica restrito por grilhões malditos
Ah! Como quisera ele sentir novamente a brisa de outrora
o frescor das areias molhadas dos fins de tarde
Descobrir novas trilhas que levem ao vasto mar de seu eu
Na força de suas correntezas quisera outra vez se lançar
Deixar-se deslizar como flor sobre a leveza das águas
Livremente ir e deixar-se levar
Sem bagagens ou sabotagens
Apenas escoar
Sem medo de ir ao encontro de seu extenso mar
Mergulhar na sedutora melodia de suas águas claras
E se encontrar entre as ondas de seu íntimo e caudaloso mar

Izabel Lisboa


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SÓS

Almas insanas
Sem redes de proteção
Suspensas nos trapézios da vida
Em saltos e sobressaltos
Em malabarismos
E contorcionismos

Incomensurável devir

Almas que se lançam no espaço infinito
Despidas de ilusões e falsas paixões
Em cada salto um abismo
Deslocamentos e desconexões
Almas peregrinas projetando-se na escuridão
Experiência extra-ordinária
Trânsito livre entre a vida e a morte

Terrível perigo é o ser livre
Como em labirintos feitos de becos e esquinas
Sem projetos ou projeções
Aguardando o inusitado
o instantâneo
Assim vão aqueles que trilham lucidamente a jornada
Irremediavelmente Sós

Izabel Lisboa


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Sísifo de Max Klinger

Coragem de super-homem

Lançar-se à própria sorte,
ressurgir das cinzas.
Reconhecer-se ferida...
Doloroso auto-reconhecimento.
Desvirtuoso
e lúcido.
Santidade nula.
Derradeiras pausas,
antes de derradeiros golpes.
Raio silencioso,
prelúdio ao trovão.
Língua navalha,
derribador de mentiras,
demolidor de enganos.
Conseqüências da valentia.
Puro vigor... Audácia...
E dor.

Izabel Lisboa

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Desconfiem daquele que diz não querer ser mestre,
mas que não abre mão de ser a palmatória do mundo...
O que dá no mesmo!

Izabel Lisboa

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Como a culpa e o sofrimento fragilizam o ser humano...!!!!

Blog de Izabel Lisboa

Izabel Lisboa

PRESENTES PARA UM AMIGO



PRESENTES PARA UM AMIGO

Pensei em você...
Senti vontade de dar-lhe um presente; não só um, mas vários.
Achei, porém, que tinha que ser alguma coisa que você gostasse e que pudesse usar em todos os lugares.
Assim foi que no dia seguinte levantei mais cedo e fui à cidade para encontrar tudo que imagine
Continuar

Postado em 20 dezembro 2009 às 22:00 ‚Äî 5 Comentários

Izabel Lisboa

sangria desatada

está doendo
... a dor escorrendo
pelas mão
pelas palavras
pelo chão

salivar pela inspiração
regurgitar
ruminar
o bolo poético
a poesia triturada

é rio de sangue
que jorra do poeta
vertendo
vertendo
da jugular aberta

engolindo seco
vomita-se um verso
num amplexo só
sem pregar o olho
delira-se um poema...

Izabel Lisboa

Postado em 18 dezembro 2009 às 11:03 ‚Äî 5 Comentários

Izabel Lisboa

Me perdoa por te traíres

Me perdoa por te traíres
(Homenagem a Nelson Rodrigues e a Chico Buarque)

Louca, te pegas enciumada
descabelada.
Com a faca em pleno fio
golpeias a esmo o vazio.

Na fúria
esqueces das juras de amor eterno
e rasgas um por um
o fino linho de meus ternos.

Neste momento insano
quando te cobre o manto da loucura
desfia ao acaso qualquer pano
tornando impossível qualquer costura.

Já cansada de tanto desvario
adormeces sobre retalhos
não sentes calor nem frio
choras sangue em gotas de orvalho
Continuar

Postado em 12 dezembro 2009 às 11:19 ‚Äî 4 Comentários

Izabel Lisboa

pé de beijo



plantei na terra
arada de um
vaso cardíaco um
pé de flor de beijo

as florinhas
miúdas que enfeitam
o corpo da planta
encantam

doce esse
meu jardim...
de macios beijos a
florir aqui e ali

Izabel Lisboa

Postado em 8 dezembro 2009 às 17:45 ‚Äî 3 Comentários

Izabel Lisboa

por que repicam os sinos?



vítima suculenta
alheio ao seu destino
o peru não pira (e nós?):
será embriagado
degolado
depenado
escaldado
temperado
assado
esquartejado
devorado...
pobre coitado!
o que será dele? (e de nós?)
no principio era a cachaça
por fim... a carcaça...
a dele (e a nossa!)

Izabel Lisboa

Postado em 4 dezembro 2009 às 21:30 ‚Äî 5 Comentários

Izabel Lisboa

NOITES...


Bíblis / Willian Adolphe Bouguereau

Existem Noites que merecem bem o nome que têm!
Nelas ficamos tão aquém daquilo que somos!
O trágico é que noites assim podem durar dias, anos, toda uma existência...!

Izabel Lisboa

Postado em 14 novembro 2009 às 23:58 ‚Äî 4 Comentários

Izabel Lisboa

Pedagogia Profana / Jorge Larrosa


Conta-te a ti mesmo a tua própria história. E queima-a logo que a tenhas escrito. Não sejas nunca de tal forma que não possas ser também de outra maneira. Recorda-te de teu futuro e caminha até tua infância. E não perguntes quem és àquele que sabe a resposta, nem mesmo a essa parteContinuar

Postado em 9 novembro 2009 às 15:35 ‚Äî 1 Comentário

Izabel Lisboa

Infâncias & Lembranças

Hoje em algumas escolas a matemática é outra:



Conheci no Colégio de freiras, as tais vias “pedagógicas” de mandar criança “lavar a boca” quando o desajuizado órgão proferia palavreado de baixo calão; que por descuido nosso, ou não, feriam os ouvidos santos das mestras. O interessante é oContinuar

Postado em 7 novembro 2009 às 21:46 ‚Äî 2 Comentários

Izabel Lisboa

traspassado


hoje ácido
amanhã árido
tragicamente vulcânico
romântico talvez
entrementes ardente
organicamente carente
geometricamente incongruente
todavia absorvente
tristemente contente
teoricamente presente
tecnicamente ausente

Izabel Lisboa

Postado em 7 novembro 2009 às 16:32 ‚Äî 4 Comentários

Caixa de Recados (114 comentários)

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Às 23:00 em 23 dezembro 2009, Mônica disse...
Oi Bel Bel! (dingobel! rs)

Querida poeta:

Ufa...com tantos afazeres, só agora pude dar um pulinho aqui pra desejar um Natal iluminado e um Ano Novo cheio de saúde, paz, sucesso e prosperidade, à você e toda família!
Que em 2010 você encha esta Casa com muitos e muitos poemas, lindos lindos como você!
Às 1:12 em 23 dezembro 2009, Eduardo Ramos disse...
Beijos, Bel, querida amiga! Muita paz e poesia e amor, no natal e em 2010!
Em 12:34pm on dezembro 22, 2009, Cafu deu para Izabel Lisboa um presente...
Um laço e um abraço. Viva poesia! Beijos.
Da Loja de presentes
Às 12:32 em 22 dezembro 2009, Cafu disse...


Bel Querida,
Feliz Natal! Que 2010 sorria para você como você está sorrindo bonito para a vida. Muita paz, crescimento, inspiração e excelentes realizações para os próximos tempos.
Tintim! Saúde!
Beijos.
Às 7:33 em 21 dezembro 2009, Xico_Santos disse...
Ops! Parei nesta estação... pra um beijo e uma porção de abraço... É que desejo que este sorriso lindo permaneça enchendo nossa telinha neste 2010!
Saúde, poeta!
Às 9:45 em 20 dezembro 2009, DARCI BORGES disse...
Olá, Izabel! Um beijão procê aqui do Goiais (é assim que falamos por aqui). Tá fazendo uma manhã gostosa, indecisa entre o choro da chuva e o sorriso do sol...
aquele tipo de manhã que nos deixa também indecisos entre um bom livro e o futebol.
Passei algum tempo afastado e vim para dar uma atualizada. Tudo muito bonito, principalmente o "Ser Poeta", magnífico. Veja que eu também fiz um poema com o mesmo título: http://badebugigangas.blogspot.com/2009/12/ser-poeta.html
Adorei também o álbum de família. Essa senhora de cabelos brancos lembrou muito minha mãe (26 anos já sem ela...). Diz pra ela que a achei muito bonita. É sua mãe?

Um Feliz Natal e 2010 cheio de tudo que é bom pra você e pressa turma aí!...
Beijos!
Às 11:20 em 3 dezembro 2009, LaraKO disse...
Oi linda "Iza" (eh lindo eu acho rS!^_^)
Mensagem de agradecimento:

Obrigado a todos vocês eloqüentíssimos amigos de V&P rS!!! pelo apoio e por claro por escreverem >_< quanta inspiração *-*!!! Grande abraço Lara'Ko
Às 19:40 em 25 novembro 2009, Mônica disse...
Oi Bel!
Passei por aqui pra dar um alô e dizer que a-d-o-r-e-i os porquinhos lá no comentário ao post do Zarf: tô rindo junto com eles! (rss).

Menina, cê é a nova Renata do pedaço, vive mudando de cara! (mas esta tá bem legal- a anterior também, como lembrou a Cris. Eu é que tenho que arranjar uma fotinha lindinha que não seja aquela "procura-se" das carteiras (rss) - tenho um monte dessas, que decepção! (rss)
Beijão e ótimo resto de semana procê!
Às 18:15 em 16 novembro 2009, CRIS LIMA disse...
Linda sua foto...belíssima vc!
Bjs
Cris
Às 13:44 em 16 novembro 2009, Magno Aquino Miramontes disse...
Hoje é dia de Bel
dia de Bel de cara nova
linda linda linda
a carinha nova da Bel.
Não sei se chamo pra uma valsa
ta debutante que só!
Não sei se espero no altar
Bel de noiva
buquê de noiva
buquê de Bel
Bel, que sorriso!
É até maldade
sorrir assim de lado
devia sorrir pra mim.
 
 

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