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A voz da madrugada O dia foi hostil
a madrugada deixou-o
vulnerável
como pardal molhado
A voz da mulher,
que pariu e criou
todos os homens,
disse as palavras,
mais coloquiais.
Foi arremessado
para a madrugada
mais profunda...
por dentro e por fora!
É a lembrança da eternidade,
que experimentou em vida
que guarda no bolso,
o de mais fácil acesso.
Enfim, a doçura existia,
tanto quanto
as truculências diárias.
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Colecionadores de grãos
Para Marcelo Novaes e Fernando Cisco Zappa
Entre os dentes
da engrenagem,
no vão dum encaixe.
o homem se vê
de pé em cima
do mundo girante.
Recolhe fragmentos
de coisas e sentimentos:
de grão em grão
o monge constrói
a bela mandala.
Que destino bom!
coser colcha de retalhos,
fazer vitral com cacos,
mosaicos com entulhos.
pois preciosos são:
restos de pano,
lascas de
vidros e ladrilhos.
Naquele momento
enganou o tempo.
é uma unidade composta,
(dos que foram e que são).
Sussurra à rosa dos ventos:
a dor não me intimida,
estou vivo e liberto.
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O poeta que morreu à Marcelo Novaes.
O poeta preparou-se para o grande sarau.
Esperava a humanidade irmanada.
Não tinham ouvido para ouvi- lo,
surdez adquirida
do excesso de apelos comerciais.
Nem olhos para seu corpo comum
de homem de meia idade.
Não adiantou trazer os ramos de sentimentos,
as alegrias improváveis e as sutilezas de sua tristeza.
O poeta nadava contra a corrente.
As drogas artificiais e industriais
ofereciam mais consolo,
que seus versos alinhavados
com tanto amor.
O poeta ficou só.
Morreu do pior silêncio:
a impossibilidade de comunicação.
Mas como é impossível prever a vida,
mesmo no século vinte um,
abaixo de várias camadas,
soterrados pelo consumismo,
existia um coração.
O coração do homem cansado dos vernizes,
das aparências,
das felicidades compradas a dinheiro.
O poeta morreu iludido.
Hoje ele vive
no vulto da humanidade que amou.
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O torto Não estudo gramática,
muito menos semântica,
nem versificação e ortografia.
Só quero ler e escrever poesia!
A poesia mundana,
do cotidiano fatal.
Ela está nas ruas,
nas artes, nos estilos,
nas grandes obras,
nas religiões...
mas sobretudo:
nos dias que se seguem
e se contam no calendário.
Sei que devo incomodar os polidos,
os eruditos
e os escritores profissionais.
Mas o que há de se fazer?
Minha vida é torta,
Meus poemas são tortos!
Desta dignidade me visto
e saio tocando a lira.
Para se encontrar,
basta estar perdido.
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Nostálgico Não sei por que caminhos
julgados corretos
perdeu-se o elã,
tão precioso, quanto desejado.
Fiquei com o diploma,
fiquei com a carreira.
fiquei sem o frescor
das coisas vistas
de primeira.
Fiquei assim...
Nostálgico de mim.
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GAZA Enquanto houver humanidade,
Uma dor será lembrada,
a do sangue inocente
impregnando tudo!
na superfície das coisas,
as almas dos homens.
Enquanto houver humanidade,
Haverá o semblante
da criança apavorada
correndo desorientada
Haverá a moça muçulmana
pronta para morrer mártir,
tão doce, tão jovem.
Haverá muitas gerações de gentes,
no por vir dos tempos,
Espero que estas
tenham mais fé,
do que a minha,
na humanidade.
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Pequeno Palestino Um pouco de nós,
morre contigo,
pequeno palestino.
Não tivemos tempo para mostrar-te,
que o ódio não é regra!
Você que só conheceu nossa
brutalidade e indiferença.
Sobrevivemos a tua brusca partida,
mas perdemos porções
do que temos de melhor:
o humano que nos une
e nos separou.
Perto de ti e tua dor,
o mundo ficou pequeno
e nós insignificantes,
Ao te ver morto,
digo e repito:
um pouco de nós,
morre contigo.
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Poeminha da revelação Você sabe de onde Jesus nasceu?
Do sussurro de um anjo
no ouvido
de uma virgem palestina!
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Origem A réplica gigante
da planta do
navio negreiro
ficava aos nossos pés.
De lá se via
centenas de corpos
negros deitados,
acorrentados
Percebe-se a
economia de espaço
para que coubesse
maior quantidade
de peças,
de coisas sem alma.
Fez se isso por séculos!
A engrenagem mercantil
rodava sem parar.
Assim nasceu
a gente brasileira :
de uma fazenda colonial
mercantil
Que triturava
homens e cana.
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São Paulo Do ângulo que te vejo
Não és tão imponente como dizem
Imensa urbanidade
comprido cobertor de concreto
habitado por porções de toda gente
Do ângulo que te vejo
Não és tão feia como dizem
Tens graça caipira e cosmopolita
Miscelânea arquitetônica
disposta caoticamente.
Do ângulo que te vejo
Tens sotaque típico como dizem
amálgama do ritmo caipira italinado.
cômico de ouvir
os erres e enes estendendo-se ao infinito...
Do ângulo que te vejo
Não és tão assustadora como dizem
Mas é bom andar vigilante,
nunca se sabe quando
os amigos do alheio irão aparecer.
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Nordestinos A banda nordeste
do coração
da gente brasileira
é a região mais pobre,
mais excluída
da exclusão
dos excluídos.
mas nem sempre foi
assim...
outrora foi terra
fundadora de povos !
De lá, nossos Senhores,
aprenderam a extrair,
a retirar,
extirpar as tripas
coloniais.
A pobreza os isolaram
em outra espécie fictícia :
os nordestinos,
os intocáveis
ocidentais.
Nessa hora me envergonho
de ser homem.
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prédios espigões fincados,
os cubos de concreto
armado,
todos empilhados
em grupos.
casulos humanos,
separados,
sem pontes,
corredores desertos.
isto mais isto,
os vizinhos vigiam
nossos vestígios
são íntimos e
anônimos.
o indíviduo,
o consumidor,
o trabalhador,
todos contidos
em sim mesmos,
contam as migalhas
da ração cotidiana.
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Betinho, meu amigo Conheço um sujeito direito
É falso capeta,
Anjo perfeito.
Acho que, no escondido
é Quilombola devoto
de São Benetido.
Do Santo
herdou a bondade
junto com a humildade
Dos quilombos trouxe
a liberdade, a luta
e principalmente
a alegria
Como contrariá-lo?
Seu grito, avisa
Sua voz, guia,
Nunca manda.
Betinho, bendito
Da cozinha comanda
banquetes:
De sons, de cenas,
de sorrisos e gentilezas
Segue sempre suave
tranqüilo sereno
pois sabe de cor
o caminho, o atalho,
para chegar mais rápido
à alegria, à felicidade
Segredo que revela
aos quatro cantos.
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Preta moleca A preta é mulher feita.
(Só para quem não a comece...)
É moleca-molecona.
Tem um corpo carnudo
cor de cancela, não,
cor de terra!
terra fecunda,
que espera,
paciente e
impacientemente
as sementes,
as plantas,
as árvores
que com certeza virão!
Quem é louco de recusar
terra tão fecunda?
Afeto exposto.
Pede, chama,
por um canto seu
no coração da gente.
Nem que seja um
cantinho, mas seu.
Sobre a voz quente e
morna, esconde dores
e muitos sabores.
A voz é herança
de família.
Uma ancestralidade
cativa, que hoje nos
cativa, prende
nossa atenção.
Preta amiga,
está sempre disposta,
para as alegrias e
delicias desta vida.
Criança crescida
espera ansiosamente
pelos presentes de Natal,
aniversários,
páscoas,
amigos secretos...
Espera pelos presentes
da vida, que por mais
que demorem,
não importa,
serão sempre
bem vindos.
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Hortênsia azul É uma alegria perfeita
ter na memória
mais remota
a lembrança
da visão azul
da exuberante hortênsia
que ficava nos fundos do
meu quintal,.
que minha mãe amava tanto,
junto a roseiras e orquídeas.
Abundância de beleza
de tons e sub tons
de azuis.
Azul foi a infância!
Com todas suas dificuldades,
não faltou o olhar zeloso
dos que nos colocaram no mundo.
Estes olhares e estas vozes
sempre me acompanharão.
E é assim que eu quero que seja.
Os ciclos se repetem, mas aqueles anos
são a prova da existência da eternidade.
Continuam a crescer as Hortênsias,
e tenho um motivo a mais
para ser feliz.
e um motivo a menos para
ser triste.
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Eduardo, o cumpa Ele assina seu nome civil: José Eduardo.
Para nós, Cumpa.
Palavra inventada, derivada de Compadre.
Pai Comum, aquele, que na ausência dos pais,
cumpre ensinar os caminhos cristãos para se
chegar ao céu.
É bom saber que não estamos sós nessa travessia.
Cumpa companheiro seguirá junto
durante todo o caminho.
Para afastar a ideia
de solidão.
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Teologia
Busco nas escrituras do povo de Deus
um sentido para esta vida.
Mateus me salvou do desespero
várias vezes...
Sobre alguns fragmentos de texto,
ergui uma pequeníssima teologia,
ela só tem um mandamento:
- Jesus disse:“E quero a misericórdia
e não o sacrifício.”
Que o mundo esteja sempre mergulhado
no Espírito deste Pai Amoroso.
Para que tudo possa estar envolvido
por seu manto espiritual.
Que o mundo vem de Deus,
Que as coisas e criaturas
brotaram do seu incomensurável
coração!
Para que eu possa andar
entres todas as criações
e com elas me apascentar.
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O além o véu da morte
cobria-lhe o rosto,
o tronco,
os membros.
aos poucos
via-se o esvaecer
da vida.
aquele que
tudo perdera,
já não tinha mais
a si próprio:
seu corpo,
seu despojo.
via-se o invisível
-a alma do semblante,
ausente.
aquilo que tanto
temia-se,
cumpriu-se.
Agora lhe resta
a vida pós
sepultura.
o além –
- mundo.
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Adorno houve um tempo
em que dizia-se :
o vaso solitário é
aquele que só cabia
uma rosa
(geralmente uma rosa)
o destino da pequena
peça de cristal
era guardar
o galho cortado
da planta
que não tem consciência
do que é.
Também não sabe o que
seu próprio significado.
Belo, lírico, triste,
encantador objeto.
Que sem pensar no seu
destino, propõe embelezar
o quarto, a casa
a vida
daquele outro solitário,
o mais desafortunado,
o que tem a consciência
da absoluta solidão
dos homens.
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Machadiana Não há muito para se contar
na verdade nos basta registrar
as memórias de nossas misérias.
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Comum no comum
de cada dia
sou calmo,
até onde pode ser
calmo um
morador de
um conglomerado
urbano
mantive a calma
durante noticiário
no jantar
mesmo me dando conta :
--Que a história da humanidade
ainda é
a história da barbárie.
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Quero ser Manuel Bandeira Quem me dera ser Manuel Bandeira
Isso sim é viver no fio da navalha!
È ter girado a Roda da Fortuna
No ângulo completo
Trezentos e sessenta graus
Nascer , praticamente, com óculos
De grossas lentes
Namorar as prostitutas
Da sua própria rua
Convidando-as o tomar
um sorvete de café
no seu quanto.
Ter mulheres desfalecidas
pela ternura de minhas
palavras, tão simples.
Assim,
Tecendo poesia
Ao longo do dia
Ao longo de uma vida inteira,
Que não foi o que esperavasse
Que fosse.
Foi sim o testemunho tão lírico
quanto belo
Da dor e paixão
De uma vida venturosa e
Deseventurosa.
Como a nossa.
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O passeio dos namorados Nunca soube
que após os quarenta
podia-se namorar escondido.
Revisitar praças antigas e esquecidas,
Beijar entre sombras de árvores,
Ter medo de bandidos e policiais...
Os dois, assim, se beijando
em via pública
Toda a cidade já sabe,
menos nossas recatadas famílias.
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À minha querida Clarice Lispector Clarice dizia com uma convicção fatal;
Não estou escrevendo, estou morta!
“agora eu morri,
Vamos ver se eu renasço de novo,
por enquanto estou morta.
To falando de meu tumulo “
Noutro momento:
Escrevo para dizer-te, que te Amo
.
--Mesmo com os meus versos tortos--
Você sempre esta certa, querida Clarice,
Não estou vivo,
ressuscitei.
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Amor de supetão A palavra amor é requinte
daqueles para quem a vida é leve.
Amor como nosso, de supetão,
Tem menos solenidades,
mas nunca é descuidado!
O que sinto por você é mais profundo
Ultrapassa as camadas e camadas
Das aparências das coisas.
Você habita um outro reino.
Reino oculto, tesouro guardado.
Que abre as portas sem que eu use uma palavra
Só preciso te olhar e sorrir.
Agora estou em dúvida:
Há uma lenda que diz :
"em hora, em vez, a vida repõem tudo que nos tira"
Você transborda...
É uma Graça de Deus!
Não se importando se a gente merece ou não
Tamanha alegria.
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Amor Erótico O sexo me puxa pelo sul,
pelo centro,
por dentro,
por fora,
por toda a epiderme,
pelo ar,
pelo olhar,
(sobretudo o olhar)
pelo sol,
pela sombra,
pela bruma,
pelos poros,
que são incontáveis!
Assim, com tantos apelos sensoriais,
o equilíbrio psíquico, frágil por si só,
Fica absolutamente comprometido!
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Poeminha da revelação Você sabe de onde Jesus nasceu?
Do sussurro de um anjo
no ouvido
de uma virgem palestina!
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mendigo morto O homem é coisa,
hoje também é número.
Sua tragédia,
não é mais cantada
em verso e prosa.
Sua Tragédia
é uma estatística!
Seu sepultamento não é
uma cerimonia solene,
é um processo higiênico.
Mas sei que,
a vida vibra constantemente,
intensamente.
Desde do início microscópico
Do mundo!
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A língua O capital humano
pode ser medido
pelo domínio
do vernáculo.
Nas assustadoras aulas
Corrigia-se
Os deslizes na escrita,
Na fluência da leitura
Da língua mãe.
A leitura dos mestres
Era obrigação
exigida em avaliações
amargas
Mas doce, muito doce
Foi se descobrir
No Minguilim, de Rosa
No Campos, de Pessoa
Na fé e desejo da Adélia.
A língua é mãe, é pai
São irmãos e amantes
Assustam?
Nem tanto.
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Poema no meio do expediente Estou no meio do expediente.
Escrevendo poemas na tela
do computador pessoal da empresa.
(Foi-se o tempo das máquinas de escrever)
Estou no meio da vida
No meio, mas não dividido
No meio do caminho
da vida partida,
Tudo que fui, ainda está comigo .
Tudo que tive, me acena
está tão vivo.
Foi-se o meu tempo?
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Mote : sol a pino Glosa: Meio dia neste hemisfério
Só aqui o sol a pino
Furta a sombra
do nosso corpo.
Sem sombra,
Ao sol
Ficamos incandescentes.
Brilha no nosso coração
As menores partículas
ainda não descobertas.
A possibilidade real
De ainda poder ser
Feliz plenamente:
só por estar vivo!
E se deliciar flertando
os outros seres viventes.
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Minha prece Deus, pai, criador de tudo
do que conheço e desconheço
Pai que julga seus filhos
sobe um único critério :
Amor.
Te peço como filho menor,
coloca-me em teu Plano
Que eu ame, ame,
ame sempre, tudo
que conheço e desconheço.
eis me aqui, pronto.
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Rosa do meu coração Bênção mestre- irmão João!
Rosa de minas-mundo
Cheio de perigos e delícias
Vou brincar com Minguilim
Vou campear com Manuelzão
Pelos Campos Eternos dos Gerais.
Não sou homem de briga, mas
acompanho Riobaldo e Diadorim
na perseguição ao malévolo
Hermógenes: bandidão
Inimigo de todos.
Cumprirei luto junto com Riobaldo.
Entraremos no véu da cachoeira de águas
Puras, com esperança de limpar
o corpo, a alma, o destino!
Para um novo e bom destino.
Renovados e corajosos,
Seguiremos a longa jornada
rumo à além do
que conhecemos
Nessa eterna
Travessia...
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Encontro com a Adélia Prado Foi num passeio despretensioso
Na feira bienal de livro
Quando descobri que Adélia
Iria palestrar, junto com seu amigo
Frei Beto, para o público.
Muito surpreso
com a sorte grande
fui ver Adélia palestrar
Falou de poesia
Falou de Drummond
Falou sobre a escrita
Sobre os gêneros masculino
E feminino.
Eu queria dizer algo
Muito inteligente
Algo que impressionasse
Mas com tantos doutores
Literatos
O burro abaixou as orelhas
Não falei nada o tempo todo
Ao final, formou-se duas rodas
De gente em volta dos escritores
De repente, fiquei corajoso
E me atirei pedindo apenas
Um abraço e um beijo!
Durante o abraço
Disparei a queima roupa
“Sou apaixonado por você”
Já comovido
com os olhos de lágrimas
A escritora comovida
Perguntou meu nome
E retribuiu o beijo na
Face mais que rubra
Do admirador
Sai da feira
Fui para casa
Bebi vinho, que é bom pro coração
De comoção, de alegria
Fiquei feliz de pileque.
_________________________________________________________
Sair para namorar Começo me preparar
Vou sair
Para encontrar
Meu amor...
Chuveiro e barba feita
Roupa limpa
Visual da hora
Só desodorante
Para homens.
(estilo rústico limpinho)
Torço os dedos
Faço o sinal de cruz
E vou namorar...
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Amor sem vergonha Eu e meu amor
Trocamos beijos
Nas pedras
Onde o mar
Bate chicotadas
De espumantes águas
salgadas
Impossível encarar o sol
A olho nu.
Mas seus raios banhavam tudo!
Aqueciam tudo sem critério
Evaporavam as poças
de mágoas antiqüíssimas
Espiavam atentas
Uma família de corujas
Olhos imensos
Olhos que tudo viam
E tudo contemplavam
Inclusive
Nosso enlace amoroso.
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Amargura A paisagem externa e interna.
Sincronizaram-se
numa triste harmonia.
O caldo grosso do fel
Sobe até a garganta
Passa pelo estômago
Infiltra o espírito,
Com seu agouro:
-dia perfeito para sofrer!
A dor é aguda e profunda.
Mas não assusta mais.
Nunca se fez ausente.
A vida também cobra
sua parcela cotidiana!
Retomo a lida
E esqueço,
por amor as alegrias,
as pedras lascadas
do caminho.
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Meu pai A morte é o avesso de tudo
que conhecemos!
__________________________________________________________
Amandy&Betinho Tem uma , não.
São duas guirlandas suspensas
no teto do céu
Da casa do sol.
A primeira é de gesso
Branca concreta,
símbolo de uma outra guirlanda;
-a guirlanda espiritual
como uma auréola santificadora:
da vida,
do amor,
da amizade,
da alegria,
da beleza,
da arte,
Enfim,
Dos que acreditam
que ser livre e feliz
É uma decisão pessoal.
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Um esboço A vida desenha,
aos poucos,
o esboço de uma
existência.
As alegrias,
as frustrações
formam um molho
agridoce que confunde
todos os sentidos.
as diculdades diárias,
as oscilações de ânimo
e dinheiro.
Com os nossos mortos
sentimos o gosto
de enternidade em vida.
Com eles também,
percebemos que
um pouco de nós
Já se foi.
O trabalho constante,
As obrigações nos privando
do mais simples
e despretensioso
ócio.
As engrenagens
da sociedade industrial
sempre rodando.
Para o bem ou para mal.
Qual o saldo que nos resta?
A graça da piedade
para com esta
Frágil condição.
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Psicodélico Nós pulávamos
de chumaço em
chumaço
de nuvens brancas
sob o céu azul claríssimo!
A uma altura incomensurável
com os músculos frouxos,
leves levitantes.
Anestesiados pela
felicidade temporã.
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A Praia Somos do planalto baixo
Envolvidos numa camada
de fumaça e fuligem
Que dificulta a respiração
e a visão do céu estrelado
Descemos as serras
meio ansiosos e aliviados
e lá sucumbimos ao
amor irresistível
do calor , do prazer
da alegria de viver
O céu de lá,
já não é
o que fora
Está menos profundo...
Sua maresia de nunvem neblina branca
purifica feridas,
cura- as
Juravámos a nós mesmo,
que vale a pena existir
por estes momentos.
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Poesia felina Pequena criatura animal,
mesmo domesticado
há milênios pela
humanidade
guarda em si
semente selvagem
dos mais
perfeitos predadores:
os felinos.
Hoje
a pequena criatura doméstica
subiu no meu ombro
enquanto eu dormia
lambeu as minhas pálpebras
para que eu
servisse
a ração matinal
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Pérola À Amandy, atriz Um palco pequeno,
Um tablado mambembe
É tudo que precisamos!
É toda nossa ambição
Pois coisa boa mesmo
É compartilhar nossa vida
Com nossos irmãos
Fazer desta vida vivida
Matéria prima
De encenações
Mágicas, etéreas.
De drama e comédia
Nossa dispensa está
Abastada!
Fui lá no fundo,
Do escondido,
Bem guardado
Buscar está pérola
Para todos vocês
-- Vejam como é linda!
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Declaração de Amor Ah!
Se eu pudesse falar o que realmente sinto por você.
Minha censura é vigilante
de todos os segundos da minha existência.
Diria então:
Amo te tão profundamente,
que suporto defeitos, manias e
hábitos consolidados há muitos anos,
sem esforço algum.
Sei sobreviver em ambientes
hostis.
Você, enfim, chegou.
Pode entrar, você não é demais,
Você é o que faltava, o que completa.
Já te reconheço no gosto de sua saliva
________________________________________________________________
Árvore genealógica Da gente de que descendo
entre tantas qualidades
traziam consigo também
as sementes secas
de doenças graves
e demências.
no seu ramo paterno
a minha árvore
continha assustadoras
doenças mentais.
Nem por isso éramos melancólicos,
mas não deixava de ser angustiante
acompanhar as histórias sofridas
dos que possuiam limitações.
Acompanhei de perto os mais velhos
suas manias, seus medos,
suas birras, suas oscilações de humor.
o que incomodava era a descoberta
de nossa falsa omnipotência.
era o medo da loucura fosse contagiosa!
que poderiamos compartilhar
do mesmo triste destino.
Nada disso,
A loucura só assusta aos sãos!
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Emboscada Sem perplexidade, agia.
nada mudara no seu dia,
por mais que ostentasse
o punhal cravado
no dorso.
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Noturno A noite seria para o descanso,
se não fosse a infecção a infiltrar
a fisiologia do seu organismo.
Aprendera que vive-se
mesmo com feridas, contaminações
e todas as sutilezas e rudezas de dores.
Sua substância carnal,
passados tantos anos,
lembra-o, na dor mais aguda ou constante,
nos seus prazeres mais mundanos,
de que é um animal.
Este é seu reino entre todas as criaturas.
O único animal que sabe que morrerá.
Sem espanto, prossegue sua caminhada.
Quer que sua pequena história seja espelho
para outra criatura que sofre na noite alta,
na madrugada do por vir, aquela que existirá.
Ao final do poema, estará mais calmo,
Se o alívio não vier o seu pequeno corpo,
sejam bem vindos os alívios da alma.
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telepoema Distante poetamos,
versos telepáticos,
sonhos profundos
origem comum
de todos nossos
sonhos.
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Meus erros Como nos textos antigos,
dos escritos sagrados:
houve sempre um tempo
para cair e levantar.
para se perder e se achar,
não me consta que
isto irá se encerrar
por si mesmo
algum dia,
alguma data,
algum fim de ciclo
ou interlúdio.
podemos conviver
melhor com nossos
erros
e com amor,
sorte e fé,
perdoá-los,
esquecê-los
definitivamente.
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Adorei tudo
Abraço
Fico imensamente feliz em saber que minha humilde visita lhe fez tão bem, mas quero lembrá-lo sempre que a esperança jamais pode ser pensada e muito menos dita como perdida. A esperança é a Alma no âmago de cada ser vivente.
Beijos em seu core.
Inarinha
Esta saudade só nossa
que surge sem se esperar,
faz-nos voltar ao passado,
brota em qualquer lugar.
Nascendo de uma lembrança
por um dos nossos sentidos,
emerge de onde descansa.
Por uma imagem ou ruído,
um sabor, cheiro ou de um toque,
trás à mente uma saudade
à que a sensação convoque.
Despertados num momento
que aqui, até abrevio,
de algo que já foi gravado
no decorrer da existência,
trás sensação de vazio.
Mas, na verdade acredito,
que a saudade dá vazão;
com fragmentos lembrados
em Tabula Rasa gravados
alimentando a ilusão.
Benedita Azevedo
Uma linda semana para vc.
Beijos
Inarinha
apagar o seu poema?nada disso.
esses diálogos são muito bons.
um grande abraço.
romério
estarei atento.
um grande abraço.
romério
passei para uma leitura geral.muito bom.
um abraço.
romério
valeu por lembrar meu niver. estava de viagem, sem net sem nada, por isso a demora pra responder.
um abço
nada a agradecer pelo comentário que fiz no ln.já respondi ao seu convite.
um abraço grande.
romério
Abço.
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