Verso e Prosa

Nathan de Castro
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Meu Dragão


© Nathan de Castro

Para relembrar paixões, abro a janela, o vento traz torrões de terra e o pó da estrada aos luares, onde danço na corda bamba a solidão de um nó.
Algures desatadas, as minhas letras fincam marcas de poeira, e só nos sonhos e visões encontro o verso amigo, para espantar o meu algoz.
De vítima eu me transformo em pincel-carrasco, e um rio de poesia atroz abala os meus pilares com canções de entulhos, que desaguam em sua foz.
O meu dragão acorda e grita: — A solidão é poluente de escrever poemas, nada mais.

Para esquecer paixões, abro a janela, apago a luz e a Estrela se desfaz em rimas de quimeras e explosões de luas, que presumem vida e paz.
Algures assustadas, as minhas letras sangram versos na ilusão que traz assoreadas veias, margens de afluente, areia, terra, céu e mar.
Na loucura eu me disfarço em pincel-palhaço e o meu disfarce é o verbo amar, que invade os picadeiros com canções de lagos que refletem o luar.
O meu dragão, calado, chora a solidão desses luares de escrever poemas, nada mais.

Por certo, a solidão tem cor, e o dia aceita o brilho dos olhos do sol nas folhas orvalhadas por lembranças de verdes cantigas de arrebol.
Algures disfarçada, a poesia encanta-se na voz de um rouxinol: meu pássaro-dragão sem asas de palavras... Minhas crenças pelo chão.
De pronto, abro a janela, a voz que escuto não é a dela e a vasta escuridão vem seduzir meus sonhos com canções de madrugadas cheias de paixão.
O meu dragão acende a luz da Estrela: labaredas de
escrever poemas, nada mais.

Somente as tempestades podem me fazer feliz nos veios das canções, e pelas cachoeiras de poesia disfarço a dor e abraço as emoções.
Algures resolutas, as minhas letras abrem valas de enterrar paixões, mas na terra o dragão navega na enxurrada com seu barco de papel.
No barco, o meu poema vai buscar morada, e da escotilha eu vejo o céu a preparar palavras com canções de maré cheia de esperança e fel.
O meu dragão, faminto, balanceia a minha fé na areia de escrever poemas, nada mais.

Nos palcos do soneto encontro a tempestade, e a minha veia teatral desfila com saudade de voar nas telas brancas sem paixão e sal.
Algures satisfeitas, as minhas letras-ostras fecham pérolas do mal, e no mar o meu dragão festeja as labaredas e disfarça a tal saudade.
Na solidão do cais, um barco de papel surfa na onda que me invade, como se fosse ele o dono das estrelas de atracar felicidade.
O meu dragão navega e aporta caravelas-solidão de
escrever poemas, nada mais.

Blog de Nathan de Castro

Nathan de Castro

Sede de Voar

Postado em 24 novembro 2008 às 12:34 ‚Äî

Caixa de Recados (6 comentários)

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Às 15:28 em 22 abril 2009, líria porto disse...
nathanzinho - vou ser publicada em portugal, baby! o lançamento do livro deve ser primeiro em bh, acho que 18 de julho...
besos
Às 14:56 em 29 dezembro 2008, Lúcia Laborda disse...


Senhor!

Que eu tenha força

pra suportar todas as provações;

que minhas mãos, apesar de tudo,

sirvam apenas, para acariciar,

a palavra, para agradecer,

jamais para agredir

e meu corpo, apenas para amar,

enquanto eu existir.

Que em momento algum

eu perca a minha fé,

que nas noites de solidão,

eu sinta a tua companhia

e nas angústias, tuas palavras

alcancem meu coração.

Que eu não seja caridade,

mas que possa estender a mão

a cada um irmão,

num gesto de solidariedade.

Que a tristeza não me domine,

que a mágoa não me persiga

e jamais eu me torne indiferente...

que as dores da minha alma

me faça mais humilde

e que tua luz ilumine

o meu ser tão carente...

que eu seja apenas luz

e no caminho por onde passe,

leve apenas a esperança,

que possa transmitir a paz,

que não me perca jamais,

da minha alma, ainda criança.

Que eu não seja refém da dor,

mas que apesar de tudo,

eu possa ainda, ser,

mensageira do amor.

Aos meus amigos:
FELIZ ANO NOVO!
Que possamos vislumbrar um mundo de esperanças e paz!
Que nossos sonhos sejam realizados, o amor renasça no
coração dos homens e a compreensão de que precisamos
muito mais SER do que TER, comece a fazer sentido dentro
de cada pessoa.
Obrigada por me permitirem estar entre vocês!
Beijos
Às 0:12 em 20 dezembro 2008, Lúcia Laborda disse...
Que nessa oportunidade, possamos elevar o pensamento ao Pai e contritos agradecermos por tudo que nos tem proporcionado. Que possamos pedir pelos necessitados. Pelos desabrigados. Pelos que não se alimentam, pelos que não têm um lar. Quem levará até eles, o conforto de nossas casas? Quem levará o pão, que em nossa mesa é servido? Portanto, não nos orgulhemos da mesa farta, mas nos conscientizemos do irmão, que não teve a mesma sorte e ao relento espera a morte.
Que seja uma época de reflexão. Que pensemos com humildade e a ganância nunca nos faça reféns. Que o Papai Noel, seja remetente do amor e não cause mais dor, a quem não pode alcançá-lo. Que o apelo do comércio, não nos torne indiferentes, pois esta é uma noite de amor, em forma de presente.
FELIZ NATAL e QUE NO ANO NOVO possamos vislumbrar a paz tão sonhada, a desigualdade social menos acirrada e o amor possa florescer, para um novo mundo, que tenho esperança de ver amanhecer!
Obrigada a todos os meus amigos, pelo convívio, pelo carinho e por nossa caminhada!
Às 23:45 em 27 novembro 2008, Marcilio Medeiros disse...
oi, nathan,
bem-vindo.
abs
Às 11:24 em 24 novembro 2008, Mel Racional disse...
Querido poeta de Castro!
Gosto de você de graça
Por que temos um sobrenome
Que segundo o meu avô materno
Felipe de Castro essa é uma única família
Todo de castro ou castro sem o de por que tiraram,
Pertencem a essa família raiz
Bifurcaram-se e estão por aí em todo lugar...
Seja meu doce amigo nesse cantinho afável, Mel!
Às 20:21 em 23 novembro 2008, Carlos Manoel Marques disse...
Nathan,

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