
Quem Vai Nos Esperar No Céu?
“Nada é grande na terra, a não ser o próprio Ser Humano/Nada
é grande no Ser Humano, a não ser a mente e a alma...“
(Sábio Italiano Pico Della Mirandola)
Para a Jornalista Maria Lydia (Rádio Bandeirantes)
-Se morrermos amanhã de manhã, ou num domingo de sol de primavera, quem vai nos esperar no céu? Certamente as pessoas que amamos aqui e que partiram primeiro, lá estarão nos esperando, para nos ajudar na passagem, na travessia...desde o momento mais difícil de romper com o cordão dessa dimensão inferior, até mudarmos de lado e então finalmente respirarmos luz terreal.
-Quem vai nos esperar no céu? O querido e saudoso pai, com seus longos braços cor de leite, seu chapéu verde de feltro com peninha vermelha, sua bengala de ossos e memórias, sua acordeona vermelha, seu olhar que de manhã era de uma cor e à tardinha na Estância Boêmia de Itararé era de outra. Sim, lá estará seu pai lhe esperando. Na Casa do Pai há muitas moradas?
-Quem vai nos esperar no céu? Tia Aurora, Dona Esperança, Seu Silêncio, Seu Zé Infinito, A Vó das Santerias, Dona Sofia com seu manjar de manga-sapatinho, São Pedro Guerreiro Vencendo o Dragão da Maldade, Lázaro Ressuscitado duas vezes, Joca Bentinho, o Filho da Luz, O Totonho Neto da Alma, A pobre Ama do Coração Vermelho, os Primos das Serenatas, O Vendedor de Picolé de Limão, O Entregador de Lágrimas, O Anjo Rosa que fazia Bala Juquinha, sim, as pessoas que amamos, e que nos amaram, nos esperarão no reino dos céus? Está escrito nas estrelas isso?
-Quem vai nos esperar no céu? Particularmente até fiz uma interessante trovinha rápida a respeito:
“Quando eu finalmente me for/Quem vai me esperar no céu?/O meu saudoso Pai Antenor/ De terno, bengala e chapéu?
-Quem vai nos esperar no céu? Com certeza todos aqueles a quem estendemos as mãos - ama a teu próximo como a ti mesmo - os que provemos, aqueles que ajudamos na nossa peregrinação, quer usando as sandálias da humildade, quer simplesmente dividindo água, sal, vinagre, força física, pão e peixe. Será possível isso, meus irmãos de buscas e sonhos?
-Quem vai nos esperar no céu? Sim, porque um dia iremos atrás de nossos próprios passos, marchando o retorno em busca de nossos ancestrais, rumo ao começo infinito da vida nesse plano astral. Quem éramos, Somos? O que seremos, já fomos um dia? Quem somos nós? Que espécie já fomos há zilhões de anos-luz? Sim, porque o brilho de uma estrela que vemos, é apenas luz de uma enorme e que já se apagou faz muito tempo. Faz sentido isso. O que isso quer dizer, irmãos?
-Quem vai nos esperar no céu? Conheceremos a lenda do Relojoeiro que toma conta do tempo na supercorda do infinito cosmo sideral? E do cachorro com asas que vigia os ladrões da noite eterna? Fomos amigos da toupeira nariz-de-estrela e do ornitorrinco azul-xadrez que vigia as almas encantadas? Pois é. Pode ser. Semeia e confia. Há um Deus!
-Quem vai nos esperar no céu? No céu tem laranja-pêra, aroma de eucalipto silvestre, rio de pedras que rolam, gatos de três cabeças, Corinthians Fiel, Bailes de Jazz, bolas de futebol? Conheceremos então a falácia do mundo supersimétrico? Compreenderemos o incompreensível, e sorriremos, porque tudo era tão óbvio e não sacamos nada, porque, afinal, com a evolução da espécie espiritualmente involuímos e deixamos de ser puros, quando só há pureza na lucidez da fé. Crer para ver.
-Quem vai nos esperar no céu? Uma mão estendida? Um único olhar cândido com perolágrimas? Uma voz de trombone-contrabaixo dizendo “você esqueceu o mais importante, filho, vai ter que voltar para ser Zen”, ou, todos os teus antepassados e conterrâneos que partiram antes, dizendo, “-Sê bem-vindo, seu ciclo lá acabou, agora podemos continuar a trilha celeste em busca das framboesas sagradas de Deus?...”
-Quem vai nos esperar no céu? Quando você nasceu, um anjo gauche lhe disse do preço a pagar aqui dessa zona de abandonos; sua mãe lhe cultivou como uma pobre flor enferma; sua família lhe aceitou apenas como uma ocasional escora de percurso; você foi amargo e doce, humanamente foi bom e ruim; a palavra cirurgicamente ferina, o coração do tamanho de um bonde, mas, a carruagem de abóboras do tempo - na meia-noite de um crepúsculo pessoal – já foi dita. (Talvez logo serás recolhido. Foste avisado pela dor instintal?. Todas as portas se abrirão pela dor da carne que é fraca.)
-Quem vai nos esperar no céu? Amigos de utopias que choraram nos nossos ombros? Sobrinhas de sangue que dormiram no seu colo fraterno?Amores tecnicamente impossíveis que perderam a trilha da encruzilhada do destino? Filhos que não fizemos e que por si mesmos se fazem? Sobrinhas pelos quais carregaríamos um trem noturno? Irmãs que foram arear as nódoas nas panelas cósmicas de nossos descaminhos de guerreiros do fogo?
-(Minha mãe pela qual eu daria a minha vida? Meus ídolos que morreram de overdose? Santo Deus! - Quando eu era uma criança sonhadora, quase apenas uma folha de cheque em branco ainda, um Rei jovial da minha juventude de pobre cantava que nos daria o Céu, mas, depois queria que tudo mais fosse pro inferno, e agora canta para Jesus Cristo que ele está aqui. Tábua de esmeraldas ou de tantos paradoxos? Quem éramos naquelas campos de lavanda dos sonhos?)
-Quem vai nos esperar no céu? Omelete de lágrimas, estrelas de açúcar cristal, e pétalas de girassóis silvestres, darão vida aos meus poemas? Eu fui meus poemas, sim, eu os vivi como cada gomo de cada segmento triste do caminho de peregrino. De lágrimas que tantos me deram eu fiz um rio caudaloso, onde naveguei o barco de minha sensibilidade-terçã. Não me achei em porto nenhum, por isso meu encantário-ninhal é a idílica Estância Boêmia de Itararé que eu amo tanto.
-Quem vai nos esperar no céu? O lobo e o cordeiro no mesmo pasto. As fontes de águas límpidas. Cântico dos cânticos entoado por todos os nossos mortos redivivos. Eles já nos deram algum sinal?. Tudo é adeus. Precisamos nos apressar e fazermos depressa o que viemos para fazer aqui, cumprir o prometido antes de nascermos de novo, do outro lado da vida, no bosque do folhudo e Supremo Anjo das Árvores.
-Quem vai nos esperar no céu, terá que nos receber com o nosso fardo de salmos novos, eu, por exemplo, com os meus livros imaginários, com minhas baladas de pescador de pérolas sem lenço e sem documento; com os andaimes de minhas esperanças perdidas; com minhas ilusões de jacintos cortados, com meus fantasmas pegajentas, com minhas máscaras de prelúdios, meus pelicanos e minhas papoulas íntimas...
-Quem for nos esperar no céu, seja quem for na ocasião do rompimento, simplesmente catará os meus restos com uma pá feita de rejeitos de ostras náuticas, depois terá que me plantar num desjardim do desmundo lirial, então, finalmente e para sempre, todas as minhas lágrimas se secarão, todas as minhas feridas se curarão como se num milagre do astral, e eu, finalmente serei então, o que não consegui ser aqui:
Um pessegueiro florido!.
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-Que Deus me perdoe, Mãe. Eu me perdi de mim mesmo nessa Zona Morta. Mas, acredito fielmente que, sim, alguém há de nos esperar no céu, alguém há de me esperar no CÉU.
Eu estarei nos braços de um anjo?
-0-
Silas Corrêa Leite – Texto da Série “Pensagens em Trânsito Neural”
Estância Boemia de Itararé-São Paulo-Brasil
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
E-book (romance místico) ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site
www.itarare.com.br
Blogues: www.portas-lapsos.zip.net
Ou: www.campodetrigocomcorvos.zip.net
Caixa de Recados (11 comentários)
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Grandabraço!
Luan Maitan
de um mundo de Amor e Paz!"
Os mais sinceros votos de um
Ano Novo cheio de realizações!
Beijos em seu coração.

"Senhor!
Que eu tenha força
pra suportar todas as provações;
que minhas mãos, apesar de tudo,
sirvam apenas, para acariciar,
a palavra, para agradecer,
jamais para agredir
e meu corpo, apenas para amar,
enquanto eu existir.
Que em momento algum
eu perca a minha fé,
que nas noites de solidão,
eu sinta a tua companhia
e nas angústias, tuas palavras
alcancem meu coração.
Que eu não seja caridade,
mas que possa estender a mão
a cada um irmão,
num gesto de solidariedade.
Que a tristeza não me domine,
que a mágoa não me persiga
e jamais eu me torne indiferente...
que as dores da minha alma
me faça mais humilde
e que tua luz ilumine
o meu ser tão carente...
que eu seja apenas luz
e no caminho por onde passe,
leve apenas a esperança,
que possa transmitir a paz,
que não me perca jamais,
da minha alma, ainda criança.
Que eu não seja refém da dor,
mas que apesar de tudo,
eu possa ainda, ser,
mensageira do amor.
Aos meus amigos:
FELIZ ANO NOVO!
Que possamos vislumbrar um mundo de esperanças e paz!
Que nossos sonhos sejam realizados, o amor renasça no
coração dos homens e a compreensão de que precisamos
muito mais SER do que TER, comece a fazer sentido dentro
de cada pessoa.
Obrigada por me permitirem estar entre vocês!
Beijos
Que seja uma época de reflexão. Que pensemos com humildade e a ganância nunca nos faça reféns. Que o Papai Noel, seja remetente do amor e não cause mais dor, a quem não pode alcançá-lo. Que o apelo do comércio, não nos torne indiferentes, pois esta é uma noite de amor, em forma de presente.
FELIZ NATAL e QUE NO ANO NOVO possamos vislumbrar a paz tão sonhada, a desigualdade social menos acirrada e o amor possa florescer, para um novo mundo, que tenho esperança de ver amanhecer!
Obrigada a todos os meus amigos, pelo convívio, pelo carinho e por nossa caminhada!
XS
Bem, muito lindo o poema ‘ Quem me espera lá no Céu’ do grande Poeta Silas¿ Este seu personagem tem algo que me inspira essa sua energia Ser tem algo em mim de você... Por que quando temos afinidades energéticas é por que fazemos parte do mesmo grupo de forças do qual fomos desprendidos antes dessa deformação energética...
Olha, não são meia dúzia de palavras ditas daqui e dacolá que vai lhe responder dentro do seu íntimo quem nos espera nos céus. Vc primeiro tem de conhecer um pouco dessa lógica do por que somos corpos de energia eletromagnética, quando já fomos corpos de energia Racional, ou, seja já fomos energia pura. Racional quer dizer pureza. Por isso a lógica ser bom é de Deus ser mal é do Diabo... Fazer o bem vai para o Céu fazendo o mal vai para o inferno o mundo do Satanás...
Já fomos o primeiro Poder de Força e hoje estamos aqui transformados, deformados, poluídos, degenerados, enfraquecidos e desequilibrados, passamos a ser comandados pela terceira força... Veja qtos predicados para entendermos quem somos hoje. Já fomos Pura Luz e hoje estamos trevas. E para retornarmos a ser Luz Pura novamente devemos trabalhar muito e não é pouco o nosso íntimo ou nossa Glândula Pineal, ela é essa pura força. Por que tudo resultou em mecânicas: Mecânica Material, Celeste e Racional. Um corpo de matéria é composição dessas três mecânicas e funcionamos com a imaginação, ferramenta, máquina da Mecânica Material; máquina da Mecânica Celeste e funcionamos com o pensamento e, agora, passamos a nos conhecer como máquinas da maior e mais poderosa Mecânica a Racional e vamos funcionar com o raciocínio. A maior potência que temos dentro do íntimo e que é o meio de nos contatarmos com o primeiro Poder Energético o Racional ou nosso Mundo de Pureza... É por aqui que vamos nos comunicarmos com diferentes Dimensões, ou Céus; Primeiro Céu, Segundo Céu, Terceiro Céu, Quarto Céu, Quinto Céu, Sexto Céu e Sétimo Céu onde habita o Ser Central de onde tudo isso saiu, que chamamos Deus. Céus ou Dimensões.
Tudo isso é demais para nós que estávamos perdidos do nosso primeiro poder de força. Então, a Natureza que é uma Ferramenta maior é uma espécie de Mãe de todos os seus feitos, de todas as suas máquinas e que é por Ela que estamos aqui. Nós somos os responsáveis por toda essa deformação da Pureza. Provocamos a descida de tudo isso e constituímos a existência de tudo e depois nos tornamos feitos da maior Máquina e somos até hoje comandados por suas mecânicas. Porque é Ela quem está se desenvolvendo. Nós somos os seus pedaços divididos em cabeças. E a parte central dessas máquinas que é exatamente a Glândula Pineal funcionando, nos torna gente, somos humanos; se não desenvolvermos essa parte ficamos como estamos bichos, animais, por que vivemos num mundo dos irracionais. Somos conscientes enquanto funcionando o raciocínio, nossa parte pura do Ser ou irracionais, a parte impura funcionando do Ser. Por que conscientes¿ Porque desenvolvemos o raciocínio, que é a nossa parte e ligação com o primeiro Poder de Força, o Mundo Racional ou Mundo de Pureza. E tudo isso fiquei sabendo depois de ter entrado para a Universidade da Luz do primeiro Poder de Força que está implantado aqui nessa deformação.
Portanto, tudo é preciso estudar para chegarmos à lógica, à matemática e outras matérias das três Mecânicas. Tudo aqui é ensinado por essas três Mecânicas e tudo é aprendido por que funcionamos com elas.
Para vc ter uma melhor orientação sobre todo esse estudo cosmogônico e que é nosso saber verdadeiro por que viemos da cosmogonia, entre nos sites: WWW.culturaracional.com.br;
WWW.mundoracional.com.br; WWW.desencantodouniverso.com.br; HTTP: somostodosum. ig.com. br c.asp.¿i=4422 ; Tudo isso ajuda no seu entendimento. Por que ler como eu li e que é pedido pelos Donos das Mecânicas essa leitura assídua, o Astral Superior e o Racional Superior, o ler e o reler para vc ter o desenvolvimento do seu raciocínio daqui desse campo magnético. Portanto, não há ninguém nos esperando há, sim, a sua capacidade de visão, de percepção de conhecimento e tornar-se um Ser Único com a sua Luz Pura e partir para ficar junto, unido ao seu Sol ou Luz Central. Isto é vc voltar a ser um corpo de Luz brilhante o que vc já foi um dia.
A Obra Universo Em Desencanto é trabalho da Mecânica Racional, que sempre envia um Eu dessa Mecânica para nos trazer ensinamentos de lá da Cosmogonia e nós aqui embaixo fazendo a maior agonia, a maior confusão, não querendo saber desses ou daqueles assuntos por que é um bíblico, ou um espírita, ou um orixá e outros, e, daí vão se dando as confusões mentais e religiosas que nada têm de verdade com nossa vinda para esse mundo querido pelo nosso livre arbítrio, pela nossa vontade divina...Daí Um Eu da Cosmogonia disse-nos ‘voz sóis deuses’ e mesmo assim não atinamos nada por que estamos magnetizados. Desenvolver o raciocínio hoje em sua Fase verdadeira, por que é trabalhada pela primeira Força Pura, a Racional para sairmos do magnetismo, que é pura treva. Então, não há ninguém nos esperando no céu da nossa imaginação. O que está nos aguardando é exatamente a nossa energia pura que vc se tornando puro saberá o caminho de volta e unir-se-á novamente ao seu mundo de Energia Pura, Limpa e Perfeita. Não se desenvolvendo será encaminhado para os três primeiros Céus do magnetismo e sofrerá os seus atributos de energia primária. Vc não quis se desenvolver para fazer parte dos Céus mais evoluídos energeticamente então o problema está no livre-arbítrio de cada criatura. Ninguém é culpado de vc está como está e de ir para o Céu que vc mesmo escolheu. Temos aqui tudo em nossas mãos para aprendermos, mas, mesmo assim, muitos fazem as suas escolhas e se fecham para outras tantas portas que se abrem... Um abraço da sua Irmã na Luz Racional, por que vc veio de lá e deve retornar para lá, agora. Mel Racional em 15.12.1008.
‘Somos responsáveis pelo que cativamos... ’
Assim já dizia um alguém também importante.
Pois é, cativamos Almas e nem sabemos
Como também somos ignorados por antipatias de Mentores
Mas, não são gratuitas, fizemos algo negativo lá atrás
E que agora estamos pagando um preço alto
Estamos sendo isolados de algum lugar bom do mundo...
Mas, quando ainda nos resta um agrado, nos sentimos muito bem.
Sentimos-nos queridos e bem vindos! Eu.
peço a gentileza de colocar seus textos longos em seu blog. Para saber como fazer isso, clique aqui.
Tive que apagar seu comentário da minha caixa de recados, pois estava deixando a página muito lenta para carregar. MInha página é muito visitada e é preciso que ela tenha fácil e rápida acessibilidade.
Se você colocar os seus textos em seu blog, é certo que eles serão muito mais lidos e apreciados. Além de estarem disponíveis no sistema de busca e de ser possivel comentar de forma mais organizada e estruturada.
O envio de textos grandes nas caixas de recados dos colegas deve ser evitado, a não ser com prévia anuência destes, pois dificulta o carregamento da página e porque acaba se tornando um similar dos spams de nossos emails!
Eu leio todos os blogs. Dedico boa parte do meu tempo livre a ler os textos dos colegas. ÀS vezes, demoro um pouco, mas chego lá. Se quiser chamar a atenção para um texto em especial, pode colocar em seu blog e me enviar o link!!!
Obrigada pela gentileza do envio e pela participação em nossa Comunidade.
Um abraço.
Cordão de Confissões: O Poetar de Flor-Fêmea de Marisete Zanon
“Se quero viver, devo esquecer
que meu corpo é histórico... ”
(Barthes)
Oscar Wilde dizia que todos nós estamos na lama, mas alguns sabem ver as estrelas. A voz escrita da Poeta Marisete Zanon, Foz do Iguaçu, Paraná, é uma vox extremamente femina, tudo o que isso quer dizer e muito mais, enquanto tambor pós-epidérmico que soa e brilha alguma luz interior revisitada num confessionário existencial. Confissões erótico-amorosas, a paixão enletrada em arranjos de signos poéticos, sexualmente expressiva buscando uma porta para se soar, marcar presença no verbo existir, soltar-se de agruras e amarras. Revisitanças? Marisete Zanon se desnuda no versejar-(se). Olga Savary já dizia “Amar perdidamente e ter só uma saída/Oferecer-se ao gume das coisas/Cada vez mais perdida...”. Lágrimas são palavras da alma, disse Joaquin Setenti.
Artista plástica, professora, escritora premiada no Concurso Helena Kolody, Curitiba, Pr, a Poeta Marisete Zanon faz do versejar sua dança poética como se a chamar chuva (a alma uma porta aberta para o céu?), como diz Ildo Carbonera (in prefácio) “Carência, dor/Gemidos, súplicas/Sonoridade, encanto/Harmonia, enfeite”. São os arranjos corpóreos-letrais da escritora. “Fatos, sentimentos/Sutilezas, habilidades/Alma efervescente” (Jeane Hanauer), in, apresentação. Um confessionário de carências múltiplas... de desarranjos buscando focar um novo céu, uma nova terra (mundo é muito ruim masculinizado, precisa de mais mulheres no poder) ...pinceladas poéticas atônitas na paleta de sua dor, na sua vida de pessoa sensível, de alma arrojada, pondo os bofes pra fora, o furor consciencial das coisas, de seus olhares críticos, dentro de uma solidão ainda inominada, mas vertedouro. “Amou várias vezes no mesmo dia/Esse homem cujo nome era Partida” (Amor Ausente, pg. 17). Poeta enclausurada com sua cota de contemplação do efêmero, querendo técnicas de vôos a partir de solos literais. Abrindo armários, sondando gavetas, caçando memórias: “Cada prego na parede/Sustenta uma parte de mim/Pendurada em cores/Pendurada em traços/E um prego vazio faz a pergunta:/Onde está o outro pedaço?”. A vida de algum modo pode ser um cabide de pregos, porque o figurino da alma revela a nudez das impreciosidades existenciais. Crises? Neuras? Labirintos, vacâncias, lapsos. Paleta de lágrimas. O cordão das confissões tem sua amargura, suas paixões re-sentidas, afinal, não há creme rugol para a alma sofrida dos que se entregam ao amor sem risco. Marisete Zanon viça a criação, destilando veneno, verbalizando prazeres, preparando feitiços:
“Tu casulo
Eu já borboleta
Vida efêmera.
Quisera ser lagarta
Para qualquer pássaro
De devorar inteira” (Metamorfose, pg. 182)
Quando há dor, a poeta escreve. A pintora ainda escreve. A Bailarina resiste e escreve. A flor-fêmea escreve, se revela. A paleta musical da alma dança um sonho no etéreo. Inversos e colheitas. Fragmentos hormonais de uma foz íntima. (Apagaram tudo/Pintaram tudo de cinza, canta Marisa Monte.) Ou, Marina Silva cantando o irmão filósofo: “Eu só posso te dar/Solidão/Com frente pro mar...”) Marisete Zanon canta, dança, pinta (existe) em versos, se reafirmando (lágrimas letrais), com a solidão-água de frente para uma foz maior do que a de Iguaçu, a sua própria foz, carregando cardumes letrais, energias-músicas, pinturas de espiritualidades viajadas no sonho, no sonho. A safra de príncipes encantados montados em fuscas brancos hoje é muito ruim. Humanamente ruim. Tempos modernos como se de uma geração teflon, quer o frever do imediatismo (as aparências enganam as aparências) mas não quer aderência. Não se faz mais antigamente como antigamente. Marisete Zanon tem o seu tear de inconsistências, num leque de paradigmas, mas escreve como quem se ventila. Há portas e portos no elenco mal distribuído da vida. Marisete com o poetar tem treinos para céus. Quer um céu no colo, cantina de ninar, luar e galanteios. Será o impossível? Mas o amor também tem um céu de Polaroid. A vida às vezes desanda a polenta, mas, mesmo assim, não devemos nos perder de nós. Escrever a colocar pingos nos is de nós mesmos? Marisete põe pimenta do reino na sua vida, quando escreve, quando é assim gente que brilha, elenca vazios existenciais. E os versos saltam aos olhos, liriais, carentes, provocadores; cariz elísio. Só pode mesmo ser coisa de solos de silêncio. Talvez assim também, escrever ajude a não passar em brancas nuvens no campo minado das idéias, aguando esperanças, perspectivas, nuances, paixões e romances. No cordão das confissões, a flor-fêmea tira as sandálias das caminhaduras, destina o hormônio letral. Como uma janela-respiradouro para o self.
-0-
BOX:
Um Cordão de Confissões
Autora: Marisete Zanon
Edição artesanal da autora, Foz do Iguaçu, Paraná
E-mail: mariseteartes@hotmail.com
Resenha:
Silas Correa Leite, Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos (SP). Pós-graduado em Literatura na Comunicação. Autor de Porta-Lapsos. Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos, à venda na livraria cultura:
www.livrariacultura.com.br
Site: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail: poesilas@terra.com.br
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