Meu tempero barroco
Me lembra do osso
Dentro da falácia
Da flácida carne.
Melhor, na verdade,
Envoltório de carne,
Cápsula do tempo,
Rede de remendo
Com o peixe pego
Pelo arpão da morte.
Arpão lançado
A certeiro destinatário,
Ínfimo e plácido,
Nos testículos
Do meu pai.
25/11/2009
Postado em 28 novembro 2009 às 12:30 ‚Äî 2 Comentários
Uso os meus cinco sentidos,
Que afirmam que eu existo,
Para fazer os outros existirem
Também.
Percebo movimento de braços
Contorno de lábios
Pernas cruzadas
Tons das vozes
Multiplicidade de nuances faciais.
Percebo atitudes
Direção de olhares
Gestos das mãos
Gostos auriculares
Lágrimas que jorram
E retidas de antemão.
Tudo é subconjunto de sensação
Meios para um sexto sentido
Tornar o invisível
Sensível.
25/11/2009
Postado em 26 novembro 2009 às 14:20 ‚Äî 3 Comentários
Meu cata vento colhe as horas,
Armazena, no celeiro, o trigo,
O tempo, as lágrimas, os mitos,
Os significados e suas ausências.
As hélices rodam
Se passam as eras
Oro por algum relance de inspiração,
Ou por alguma verdade sobre esse rio,
Sobre esta água em queda,
Sobre os restos da aluvião.
Nada simplesmente acho.
Nada de poesia.
(Tudo é poesia).
28/10/2009
Postado em 24 novembro 2009 às 18:27 ‚Äî 2 Comentários
É pau
É pedra
É o início
O meio
E o fim do caminho
É ninho depressa
Persistente el niño.
É nau
É vela
Precipício
Vazio
É rio de reza
Cruz de pedra
Moinho
É pão
Farelo
Pão dormido
Domingo
É semana dispersa
Só um dia
Divino
Junção
Aberta
Estar junto
E sozinho
E a vida tempera:
Camomila
E cominho.
16/11/2009
Postado em 16 novembro 2009 às 12:35 ‚Äî 6 Comentários
Olho de relance
Essa nuance de dor
Contumaz.
Não é produto do feito
Defeito meu ou de outrem
É dor do que ainda não veio.
Assim como avalio a culpa que
Pela ida e vinda da consciência
Se desfaz,
Tenho paciência devida
Pra destacar a sequência
Das evidências.
Nas culpas,
Protagonizo
Nos atos rubros
E obscuros
Da alma.
Nas culpas,
Sou definido
Conjunto
De efeitos
E causas.
Nesta dor
Sou indefesa vítima
Do mal ainda não sobrevindo
Seguindo o castigo
Que sinto
Sem faltas.
11/09/2009
Postado em 13 novembro 2009 às 15:41 ‚Äî 5 Comentários
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Grata pela visita e comentário a respeito dos meus "questionamentos adolescentes": xiiiii....passado o tempo, acho que ainda continuo "uma figura"! (rss). De vez em quando fico com vontade de publicar alguma coisa. Na verdade, penso que estes escritos só servem pra mim mesma: a intenção ao publicá-los é salvá-los da lixeira! (rss)
Beijão e excelente final de semana!
Penso, que, há palavras que marcam para sempre. Em se tratando das más palavras...Até perdoamos! Porém, mesmo que a ferida sare e não mais doa..., a CICATRIZ PERMANECE! Sábias palavras do 'Mestre' descritas em São Tiago. A língua tem o poder da vida e da morte.
Um grande abraço!
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