Verso e Prosa

Valéria Di Pietro
  • Feminino
  • são paulo
  • Brasil
Compartilhar 
  • Mensagens de blog
  • Tópicos (1)
  • Eventos
  • Fotos
  • Álbuns de Fotos
  • Vídeos

Amigos de Valéria Di Pietro

 

Página de Valéria Di Pietro

Últimas atividades

Caixa de Recados (2 comentários)

Você precisa ser um membro de Verso e Prosa para adicionar comentários!

Entrar nesta rede social

Às 12:26 em 10 setembro 2008, Renata disse...
Olá, Valéria, tudo bem?

Vim aqui conhecer suas coisas. Deixo uma sugestão: que tal colocar seus textos e imagens no seu blog? Assim, você é automaticamente publicada na página principal.

Além disso, quando eu vou escolher os destaques para a Principal, eu sempre escolho do conteúdo dos blogs da Comunidade.

Beijooooo!


Para saber como usar seu blog, clique aqui
Às 17:53 em 29 agosto 2008, Renata disse...
Seja bem vinda à Comunidade Verso e Prosa.

Você pode participar publicando coisas em seu blog - que é mais modesto que um blog do tipo Wordpress, mas aqui atende bem ao objetivo dele... As mensagens de blog mais recentes vão sendo destacadas na home page.

Pode adicionar também vídeos, fotos e músicas! preferencialmente, sugiro que usem links para adicionar estes arquivos, evitando sobrecarregar o espaço da Comunidade, pois dispomos de "apenas" 10Gb de espaço para todos.

Você pode alterar a aparência e o layout da sua página pessoal. Para aparëncia, escolha alterar tema. Para o layout, é só passar o mouse sobre as barras coloridas e verá que pode arrastar as caixas para lá e para cá, com algumas restrições próprias da ferramenta.

Nós também temos usado muito as caixas de recados das páginas pessoais. Sinta-se à vontade em cair de pára-quedas e pegar as conversas no meio. Aqui, não há "panelas" e todos vão se conhecendo assim, na cara de pau, mesmo. Palpitam lá e cá, assim, todos acabamos nos conhecendo. O clima é bem informal -- aproveite!

Colabore, participe, divirta-se!

Beijão!

Informações do Perfil

URL de Blog ou Página Pessoal
http://dipietrov@wordpress.com

A JANELA LATERAL


Caminho lentamente pela rua

envolta em teu aroma tão impregnado em mim

como se fosse o meu próprio.

Ainda quase ouço o bater compassado do teu coração soando uma cantiga de ninar enquanto adormecia

sobre teu peito.

Teu mistério de homem não me assusta

eu o conheço pelo menino que transparece no olhar

que me faz transparente.

E meu mistério de mulher

se transforma na menina

que com a mão enlaçada na tua

corre pelos jardins do casarão

colhendo frutos e passados.

E te ama,

e te amo porque abro minhas defesas

sem estar vulnerável.

Porque te dou minha vida sem perde-la.

E te amo porque descobri que a loucura da paixão

é mais efêmera que a do amor.

É preciso amar sem perder o ar.

E sorver o aroma da vida

saboreando-o intensamente

porque juntos somos grandes e livres



O minúsculo jardim, da minúscula cidade.

De pessoas de minúsculos limites.

É redondo e cheio de bancos.

Só a louca rompe dia a dia

seu próprio cotidiano.

Com inigualável inelegância

senta-se ali, ora com os cotovelos nos joelhos

ora brincando com os dedos do pé.

Seus olhos enormes, quase escapam às órbitas

em rodamoinhos azulados.

Seu enorme nariz adunco roça faceiramente os lábios.

Seu riso quase puro

derrama a sonoridade

de uma canção acidental.

Mas de sua figura engraçada

emana uma estranha força de personalidade segura e feliz

de quem se retirou de uma agonizante realidade

e criou de si mesma uma fascinante

vida de doidices.

E foi aí que percebi

a origem de sua insanidade:

Em seu tempo

Ela apenas não se enquadrara

à pequenez daquele minúsculo mundo.

(nov. 85)


Hoje, por acaso um sábado. E porque hoje é sábado, todas as janelas estão acesas. Janelas, estrelas do meu céu particular. Adoro esse meu sampa neura. Mas, estivesse na praia andando na areia e olhando o céu claro de estrelas, estaria vendo a própria poesia. Aqui não. Aqui eu procuro a poesia, aqui eu invento, e ela esta lá fora nas janelas acesas. Está aqui dentro nesse meu mundo povoado por duendes e ciclopes. Lá fora está cheio de noite. Olho as janelas com os olhos quase escondidos entre as pálpebras, e num instante elas se transformam em milhares de estrelas, com muito mais do que na praia. Na rua passam os sacis e as fadas e nos céus Pegasos viaja com suas enormes asas, fazendo malabarismos quando me vê. Bebo a cerveja em grandes goles, que descem pelo meu corpo como uma transfusão de sangue.



Hoje sou Terpsicore e danço com os pés descalços sobre as minhas janelas-estrelas. Ao redor dançam faunos. E meu hoje amado Pan, querendo estar só, tira notas vibrantes de seus pincéis-flauta. Meus pés deslizam, e nessa minha dança te escrevo me contando. O feitiço está no ar em grandes rolos de fumaça. Parece que se misturam poções diferentes, que traem a feitiçaria. Transformando o mortal veneno em doce elixir.



O tempo se rompe. Ouço música renascentista e buzina de carros. E meus faunos, são tão grandemente amados que se faz um grande silencio e quase fico só.

Às vezes somos estrelas, outras o buraco negro, não é difícil ser o buraco negro, É só saber onde está a luz. E assim ele diz: Da-me luz, que te dou sombra. A noite se vai rapidamente, escorre como água em minhas mãos. As estrelas foram se apagando, uma a uma, sem que eu ao menos percebesse. E todos que habitavam minha noite começam a empalidecer. Dois homens ainda falam da máquina do tempo e das virgens que eram devoradas por mosquitos. O velho Gato Felix, que ainda há pouco havia surgido, esconde-se nas costas do menino que o invocara, lembrando do tempo em que era ainda mais menino.


A noite passou como um prelúdio e todas as imagens partem levadas em seu manto macio. O dia surge, a música muda, um cheiro de fruta e café se espalha pelo ar. Eu me encolho em um canto pensando seriamente em propor ao sol um duelo, mas por puro comodismo desisto, quando penso nas milhares espadas de luz que possui e lembro que não tenho ao menos um único raio de aço para combate-lo. Mas sei que posso, com astúcia vence-lo. Fecho então os olhos e adormeço. Rapidamente a noite retorna trazendo de volta minhas estrelas, meus faunos, Pegasos e ainda outros mais que em mim povoaram.
 
 

BLOG


Badge

Carregando...

Sobre

Renata Renata criou esta rede social no Ning.
 

© 2009   Criado por Renata

Badges  |  Relatar um incidente  |  Privacidade  |  Termos de serviço

Entrar no bate-papo