De dentro do concreto livre!
"Jogos Florais nada aromáticos”
Vendo-o dessa forma,
Raquítico e sifilítico, pior que a forma
De um animal de Manuel Bandeira,
Ou pior que a loucura de um Hamlet,
Ou pior que Edgar Allan Poe caído
Numa calçada de Boston, coberto por
Urina e fragmentos de bosta,
Ou pior que a depressão de Clarice Lispector
Em 1977, num sofazinho, concedendo sua
Última entrevista acerca das obras que
Ela mesma não conseguia compreender direito,
Sinto-me ao mesmo tempo apático e
Grato pelo fato de haver tanto o que dizer
Enquanto o circo pega fogo e os demais
Palhaços põem-se a gargalhar como se nada
Estivesse acontecido; como se, no mundo,
Uma grande e divina providência pudesse
Salvar-nos da boca da miséria na qual jazem
Nossas estripulias e falta de senso.
Fevereiro de 2009
Cristiano Vasconcelos
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Com Leminiski
Razão de Ser? Eis a minha: ócio.
Porque a vida é deveras, e eu,
Uma curta espera.
Depois do amor vem aquela deprê.
E é aí que entra as estrelas, o céu,
A cerveja e o papel.
Fico tonto antes do ponto. Fico pronto.
Bem sabemos. Eles, não. Para quê? No fundo,
Não querem saber.
Março de 2008,
Cristiano Vasconcelos
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Sade ‘Ipsis Litteris’
(com licença poética)
O dia de Sade, que não era cantor nem cantora
Era turvo, turvo, turvo,
E sol, sol, sol... Mais sol que turvo!
Como o poema sujo, como algo obscuro,
De dentro da prisão, livre como um pássaro para
Foder por meio de palavras
O coito hipócrita,
O coito britânico, francês e germânico.
Sade e suas libertinagens em Sodoma e Gomorra;
Sade, a rapina que não queria tanto os contornos
‘mea culpa’ dos pseudoterapeutas:
Apenas deliciar-se
Com o cheiro de lodo que o cercava enquanto
Nasciam flores e pássaros e cogumelos dos
Lugares mais santos, em que rapazes e meninas
Fodiam Ipsis Litteris. Fodiam – do verbo foder, senhor professor!
Sade, o gênio da fisiologia sexual,
Que fazia correr ante os olhos nossa volúpia
Enrustida, castrada, decaída.
Sade e sua percepção para a arte do corpo, bem
Antes de Camille Claudel. Sade, bem antes
Dos nossos sexólogos. Sade, bem antes de Nietzsche
Defender o estado orgíaco. Sade, Sade, Sade,
Que, salvo engano, nenhuma instituição educacional
Arrisca mencionar: porque ainda somos medievais.
Fevereiro de 2009,
Cristiano Vasconcelos
Blog de Cristiano vasconcelos
A merda de um poema
Eu detesto o lado heróico do poema.
Aquele gritinho solitário,
Aquela riminha otária para combinar
Sei lá o quê com não sei o quê.
Sobretudo, detesto
Poemas-heróico-saudosistas. Sabe
Aquela coisa monótona, como se
Você tivesse tomado um porre e, no dia
Seguinte, o médico te olha e diz:
‘Alprazolan’ ou ‘Rivotril’? Detesto! Detesto!
Prefiro babozeiras de botequim a ter
Que me relacionar com poesia salvacionista.
Antes de penetrar o corpo de um poema
O autor precisa de…
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Postado em 19 fevereiro 2009 às 19:09 ‚Äî
Poema d’outros becos
Ele ainda conseguia ver um beco. Eu,
nem isso. Mas sei que em algum lugar,
em algum lugar, em algum lugar...
Eu sei,
e não irei, aqui, argumentar.
Outubro de 2008.
Cristiano Vasconcelos
Postado em 19 fevereiro 2009 às 17:28 ‚Äî
Pelas mãos de Letícia
As ruas eram fétidas. Pessoas nos
Bondes, como em Drummond de Andrade:
Desalento, torpor, espanto!
“Werther foi mais feliz”, pensei.
O que eu poderia fazer do décimo oitavo
Andar, no centro do Rio, senão escutar
Pink Floyd? Ou Smithes? Ou qualquer
Coisa que me fizesse perder aquele
Estágio onde tudo parece tão nítido que
Até as cortinas têm cheiro de vida ou de morte?
[...]
(Dias depois)
Derramei cerveja sobre Morangos Mofados.
Acalentou-me a convergência
Entre…
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Postado em 19 fevereiro 2009 às 17:25 ‚Äî
Com Leminiski
Razão de Ser? Eis a minha: ócio.
Porque a vida é deveras, e eu,
Uma curta espera.
Depois do amor vem aquela deprê.
E é aí que entra as estrelas, o céu,
A cerveja e o papel.
Fico tonto antes do ponto. Fico pronto.
Bem sabemos. Eles, não. Para quê? No fundo,
Não querem saber.
Março de 2008.
Cristiano Vasconcelos
Postado em 19 fevereiro 2009 às 17:21 ‚Äî
Diogo Mainardi publicou, recentemente, um livro com o título "Lula é A Minha Anta". Tenho todas as obras do Diogo Mainardi, menos esta. Pretendo comprá-la antes do meu próximo aniversário, pois não quero completar 30 anos como se fosse um bicho-preguiça. Quero antes muita acidez no estômago, arritmia cardíaca e meus ouvidos escutando o pulsar das minhas artérias. Não quero a paz. Não quero a paz minguada. A miséria humana sempre dormiu e acordou nos braços da paz, seja no Ocidente ou no Orien…
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Postado em 19 fevereiro 2009 às 17:15 ‚Äî 1 Comentário
Caixa de Recados (6 comentários)
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Beijos! Muitos!
Fiquei muito feliz com sua mensagem, obrigada.
Meu disco é distribuido pela Tratore. No site deles ha uma relação de lojas, em diversas cidades, onde se pode encontrar o cd, ou encomenda-lo, caso tenha acabado. O site é www.tratore.com.br, aí vc procura por Iris Salvagnini, e clica em "onde encontrar o produto".
Uma bjk pr'ocê e inté mais...
Iris
estamos todos aprendendo permanentemente.
escritor nunca está pronto.
se estiver, é porque não tem nada novo para elaborar.
espero que se sinta bem aqui.
temos pessoas muito legais.
vamos continuar conversando.
boa semana prá você.
abraço
bem-vindo.
um abraço
Logo, logo, você pega o fio da meada e sua página ficará linda e encantadora como você!
Beijos
Bel
Bem vindo à Comunidade Verso & Prosa!
Você pode participar publicando coisas em seu blog - que é mais modesto que um blog do tipo Wordpress, mas aqui atende bem ao objetivo dele... As mensagens de blog mais recentes vão sendo destacadas na home page.
Pode adicionar também vídeos, fotos e músicas! preferencialmente, sugiro que usem links para adicionar estes arquivos, evitando sobrecarregar o espaço da Comunidade, pois dispomos de "apenas" 10Gb de espaço para todos.
Você pode alterar a aparência e o layout da sua página pessoal. Para aparência, escolha alterar tema. Para o layout, é só passar o mouse sobre as barras coloridas e verá que pode arrastar as caixas para lá e para cá, com algumas restrições próprias da ferramenta.
Nós também temos usado muito as caixas de recados das páginas pessoais. Sinta-se à vontade em cair de pára-quedas e pegar as conversas no meio. Aqui, não há "panelas" e todos vão se conhecendo assim, na cara de pau, mesmo. Palpitam lá e cá, assim, todos acabamos nos conhecendo. O clima é bem informal aproveite!
Colabore, participe, divirta-se!