Verso e Prosa

antonio carlos gomes

Blog de Antonio carlos gomes (12)

ESCRAVOS

O MUNDO É UMA SALA tem limites - paredes Portas Janelas Teto (para não ver as estrelas) Lajes (para não ver o chão) Tem a luz da sabedoria (os rais da televisão) Vivemos (um sonho vazio) Livres ( escravos somos, mas também não somos) Andamos (mudamos o canal) Temos carros... Um humano companheiro com forma de deus Grego Erótico (mudo inacessível, burro) Com todos prazeres do mundo ( eternamente ausentes) E os vazios são preenchido (Como num véu de estrela, do gênio da lâmpada) E no nosso cubicul… Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 19 outubro 2009 às 12:15 — Sem comentários

NA NOITE

Aconteceu, na radiosa nudez Que, como dom, doou-te a natureza Numa noite, que num tom de surdez, Explicou-me, em recital, tua beleza. Tu, como Eva toda encabulada, Vendo o Senhor e sentindo-te nua Sorriu, gerou uma explosão inexplicada Abalou minh'alma, tornando-a tua. E teus cabelos ficaram brilhantes. Foi aí, então, que direito os reparei. Teus olhos ficaram doces, o que antes Nunca me apercebi, nunca notei. Teus seios transformaram-se num instante. Tal qual duas colméias, bravas e imponent… Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 31 julho 2009 às 0:27 — 1 Comentário

A VELHICE

Era a fome Da solidão do acaso, Era a ânsia De ser passado, Era o negro Das cores que já se foram... Era a vida E ela existe Como? Era a vida Ela é penumbra De boates a meia luz, Com tambores cansados Morrendo Morrendo morrendo... Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 8 julho 2009 às 22:13 — 2 Comentários

A CHAVE

Se te desse a chave Te daria meu mundo Inteiro Vazio como são os poetas, Um estranho vazio com formas secretas Fragmentadas Milhões de pedaços Opacos, brilhantes Embaralhados Neste vazio Se te desse a chave Ou melhor Se achares a chave... Talvez... Eu não seria vazio. Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 8 julho 2009 às 21:47 — 3 Comentários

VENTANIA

Bate o vento Vento interno Ventania Gira o mundo O mundo interno è poesia Nostalgia É um querer... Não tem forma mas é você Bate o vento Vento interno É tua imagem Bate o vento É real Não é miragem É você Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 8 julho 2009 às 21:17 — 2 Comentários

LEXOTAN

Minhas fantasias assassinei com Lexotan Tentando acabar com a tristeza. Zumbi neoliberal Agora sou... Trabalho... Casa... Netbank.. Lexotan.. Num refão disfônico Outro dia começa Será que ainda posso sonhar? (Nem me lembro dos sonhos) Quero voltar correr na fantasia Sair do planeta vermelho Para os camelos do Saara Entrar na tenda Ver a dança do ventre.. Sabe? Lá não deve ter Lexotan. Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 6 julho 2009 às 23:26 — 1 Comentário

A CAIXA

Quero comprar Uma caixa de eco Para falar comigo mesmo E num peteleco Mandar para o passado a solidão Quero comprar Uma caixa de ressonância... e uma chave Gritar solidão! E no vácuo quando esta retornar Fechar a porta da caixa. Quero comprar um dispositivo Que isole eu de mim Para que a solidão Tenha fim. Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 27 junho 2009 às 19:05 — 3 Comentários

A CHAMA

A CHAMA Tenho de explorar meu corpo até o fim de minha vida. Se outra terei... Não sei.. Não me importa. Pois, por mais que viva Que me esforce Jamais saberei O que minha vida comporta. A chama que anima meu pensar Mesmo que meu corpo se desgaste, Continua sempre a pulsar Com a mesma força que nasci. E quando esta chama cessar Será apenas uma forma passada Que deixará em algum canto marcada Os feitos... Do que fiz e senti. Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 7 junho 2009 às 20:54 — 2 Comentários

Insatisfação

Em cada sonho, Existe a tensão da perda. O coração bate, Dá uma zonzeira Formas abstratas Começam a girar Mas o sonho anda Se raliza A tensão aumenta Arrebenta No fim desliza Penetra no Eu. Então começa, De novo.. Outro sonhar. Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 18 abril 2009 às 22:54 — Sem comentários

novos valores

Nos versos que faço Não mais acho as formas Mudaram... Mas não mudei... Num dos planos estou morto Mas não quero morrer... Só quero gozar, E não sei onde se esconde o gozo. Olho velhos amigos, Todos solitários Maniacos, Neuróticos, Buscando o invisível, Criando vazios... Ora rodando na sala, Ora ruminando na mesanum copo de cerveja, Tentando sonhar... Mas, se lhes fogem as imagens, Nem sonhar conseguem. Morreram? Não! Foram a outra dimensão, Não pertencem mais ao mundo da televisão... Ali é ext… Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 11 abril 2009 às 17:06 — Sem comentários

São Paulo

São Paulo Dez e trinta da noite Só os carros passando.... Ninguém andando na rua... Viramos tartarugas? Por certo.. E desovamos em algum prédio Para evitar predadores! Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 11 abril 2009 às 1:02 — Sem comentários

Poeta

Poeta é um ser estranho Que vive o momento Acalenta o próximo Sendo, No entanto impenetrável É o padre no confessionário Que consola...da penitência Dá conforto... Mas está envolto numa nuvem... Divinal? Diabólica?...Impenetrável É o psiquiatra que fala Pontua...compreende...orienta Mas está atrás...inexistente Só se manifesta como sombra. Poeta é um ser que não pertence. Que anda, agita, blasfema Mas no fundo é ausente Que passa de modo esquizóide pela vida Tentando se compreender em vão...… Continuar

Adicionado por antonio carlos gomes em 11 abril 2009 às 0:30 — Sem comentários

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