Verso e Prosa

Hélio Jorge Cordeiro

Blog de Hélio Jorge Cordeiro (12)

CONTO - UM PAR PERFEITO

Os dois já estavam juntos fazia algum tempo. Se davam bem, apesar de Artur viver basicamente no pé de Luís. Tinham uma vida harmoniosa. Até trocavam carinho em público, fato que chegou a ser motivo de muxoxos por parte de dona Clarice, viúva de um coronel, que morava no andar de cima. Ela achava aquilo um nojo! “Oxente! Isso é puro despeito, seu Luís! A velhota num tem nem gato pra fazer-lhe cafuné!”, comentava Gilvan, o porteiro. Luis costumava sair aos sábados, com Artur. Ali, os dois lado a… Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 7 setembro 2009 às 15:47 — 7 Comentários

CONTO - QUE GAIVOTA SACANA!

Estava eu a ver navios à beira da foz do rio, quando uma gaivota voou sobre minha cabeça e meu olhar a acompanhou, interessado, deixando de lado os navios. Seu vôo era suave, plácido, silencioso. Nesse momento, lembrei Fernão Capelo Gaivota de Richard Bach, livro dos tempos idos de minha saudosa juventude. Num movimento repentino e ascendente, ela subiu, subiu e depois desceu, e, mais uma vez, pairou sobre as águas. Planou suave até ficar estática, aproveitando uma corrente de ar quente. Não d… Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 30 agosto 2009 às 16:33 — Sem comentários

CONTO - A NOITE DA CIDADE

As luzes cintilavam nos edifícios. Num deles, uma janela aberta. Um homem e uma mulher. Ele arriou as calças. Ela ajoelhou e olhou-o. Ele sorriu. Ela avermelhou a face branca. Ele puxou a cabeça dela pra frente. Ela deixou-se levar, abriu a boca e salivou. Uma batida na porta. Ela, desesperada, cerrou os dentes. Ele gritou, desesperado, não pela mordida, mas por ver o marido dela apontando-lhe uma pistola. Ela gritou. O marido gritou. A pistola gritou e a sirene da ambulância também.… Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 25 agosto 2009 às 13:00 — 1 Comentário

CONTO - A CARTINHA

Querida e estimada madrinha. Só hoje é que tive tempo para lhe escrever estas linhas. A senhora não imagina o quanto uma cidade grande é complicada. Nada parecido com a nossa querida Pau D’Arco. Madrinha, minha saída daí foi como a jornada de Jasão. Depois eu explico. Como ia dizendo, descobri um mundo novo, repleto de desafios, mas também cheio de coisas boas e bonitas. Estarei sempre grata pela ajuda que a senhora e o padrinho me deram para estudar. É pena que ele não esteja mais com a gente… Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 13 agosto 2009 às 21:06 — 1 Comentário

Lançamento de livro

Alô pessoal. No dia 13 de Agosto, estarei lançamento o meu segundo livro, ONDE O DIABO PERDEU AS BOTAS, aqui em Itajaí, Santa Catarina, na Livraria Casa Aberta. Logo, disponibilizarei os livros através de livrarias e pela internet. um abração Hélio Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 24 julho 2009 às 0:37 — 1 Comentário

CONTO - UM CONTO DE BOCA SUJA SOBRE UM DIA DE CALOR DA PORRA!

A porra do sol já queimava as moleiras dos filhos da puta que trafegavam a merda da principal avenida da josta da cidade, logo nas primeiras horas da manhã. Nenhum corno de bom senso sairia de casaco naquela manhã, mas o idiota Odorico Gabão, saiu. O degenerado funcionário público de uma figa, perto de obter as benesses da porra da aposentadoria, suava feito um condenado dentro do bonde. O jornal que o fresco havia comprado na birosca, perto de onde tomara o caralho da condução, já se mostrava… Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 2 julho 2009 às 12:27 — 2 Comentários

Conto - Casablanca - Parte III

Clodoaldo gostava de assistir um filminho antigo; tarde da noite. Alugou Casablanca. Sua mulher, Jurema, havia preparado uma comidinha especial pros dois... ...Rick, acompanhado do oficial francês Louis Renault, tinha acabado de sair em direção ao aeroporto, para levar Ilsa Lund e Victor Laszlo ao avião que os levaria a Lisboa... Tudo começara anos antes, em Paris. Eles tinham se apaixonado perdidamente um pelo outro. Rick adorava sair e passear pelos cafés de Paris. Ah, Paris! Cidade dos aman… Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 30 abril 2009 às 10:54 — Sem comentários

Conto - O Fardo

Quanto ele acordou, não viu mais ninguém. Todos haviam ido embora. Até o gato que rondava o caixão, tinha se escafedido. As flores murcharam todas. Os castiçais ficaram todos remelentos, com vela escorrendo até as bases de madeira. O chão, já encardido pelo tempo, ficou todo espezinhado com marcas vermelhas do barro da rua. A chuva dera uma trégua, afinal. O sol tinha ido embora deixando um alaranjado diferente, por detrás da serra. Ele se levantou e foi sozinho pro cemitério. Lá chegando, procu… Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 26 abril 2009 às 14:35 — Sem comentários

Espanando velhos reflexos

Olhei e não me vi. Talvez nem houvesse o que ver. Mas quem sabe o que eu tenha visto, Foi um ser inimaginável, Desses que poderia até eu ser, Mesmo sem nele me ver retratado. O que realmente vi, foi um eu, Um ser, apenas um reflexo, De um eu, sozinho ser, Um eu único, Um ser eu, inenarrável. Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 26 abril 2009 às 14:28 — Sem comentários

Conto - Cássia e Vinícius

Cássia tinha 28 e Vinícius 45. Naquela noite, os dois tinham marcado se encontrar numa esquina do centro da cidade. Esquina essa, de pouco movimento. Proposital escolha, pois o que os dois iriam discutir era de vital importância para a relação deles e não queriam xeretagem por perto. Vinícius chegou primeiro; três minutos depois, chegou Cássia. - Porra! Quer mesmo me fazer de idiota, né? – disse ele, olhando pros lados, nervoso. - Oh, Vi, é que me atrasei... – respondeu ela com voz de criança… Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 25 abril 2009 às 13:30 — 3 Comentários

Conto - O Caçador de Bibas

Raimundo acordou assustado com o barulho no andar de baixo. Filhos da puta! Não agüentaria mais um dia naquela espelunca. Desempregado, decidira arranjar um trabalho melhor do que empacotador de supermercado. Contudo, resignara-se ao pensar que só tinha o primeiro grau. Porra! Que vidinha de merda! Tinha vindo a mais ou menos dois anos do Crato, Ceará, para São Paulo. E tudo que havia sonhado, começava a se desmoronar aos seus pés. Isso só podia ser coisa feita! Pensou com revolta. Levantou-se… Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 24 abril 2009 às 13:08 — 2 Comentários

Conto - O que mais falta comprar?

Pessoal, aqui vai um dos vários contos que postei no Contos da Cultura e que agora partilho com os amigos do Verso & Prosa. As críticas são sempre bem vindas! ---------------------------------------------------------- O QUE MAIS FALTA COMPRAR? Livraria Cultura do Conjunto Nacional. O local estava apinhado de aficionados da leitura, entre eles Orlando, que tinha acabado de ver alguns títulos. Quando ia se encaminhando para o caixa, parou. Tinha esquecido alguma coisa. Foi andando devagar.Continuar

Adicionado por Hélio Jorge Cordeiro em 22 abril 2009 às 11:26 — Sem comentários

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