O poema não sai
Está dentro do peito
Teima em ficar lá
Rolo no leito
De lá para cá
Mas não há jeito
O poema não sai
Está dentro do peito
Em um rio estreito
Profundo e sinuoso
Rio perigoso
Sufoca, afoga
Afoga, sufoca
O poema não sai
Está dentro do peito
Em um rio de mágoas
De escuras águas
Águas revoltas
Revoltas em voltas
Tal redemoinho
Que puxam o poema
Que nada cansado
Tal velho moinho
O poema não sai
Inspiração
Doce ilusão
O rio é mais forte
Lançada a sorte
O poema não sai
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