Verso e Prosa

O poema não sai
Está dentro do peito
Teima em ficar lá
Rolo no leito
De lá para cá
Mas não há jeito
O poema não sai
Está dentro do peito
Em um rio estreito
Profundo e sinuoso
Rio perigoso
Sufoca, afoga
Afoga, sufoca
O poema não sai
Está dentro do peito
Em um rio de mágoas
De escuras águas
Águas revoltas
Revoltas em voltas
Tal redemoinho
Que puxam o poema
Que nada cansado
Tal velho moinho
O poema não sai
Inspiração
Doce ilusão
O rio é mais forte
Lançada a sorte
O poema não sai

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J. Aurélio Luz Comentário de J. Aurélio Luz em 9 novembro 2009 às 19:03
Caro Sander: belo poema sobre o parto dos poemas. Costumam nos aguilhoar como as arraias que se escondem na areia do fundo, caso - displicentemente - lhes molestamos em nossa ânsia para externar o nosso sentir, mas - quando decidem - lá se vão, cortando os revoluteios da corrente, num voar de asas membranosas no fluido hialino de nossas almas, em um balé aquático que os humanos convencionaram chamar de... poesia. Abaço, j.a.

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