Irascível, o poeta decide rever a própria obra.
Elimina oitenta e nove por cento dos poemas.
“Ruins, péssimos”. Dos onze por cento restantes,
extermina metade, vocifera: “Dispensáveis”.
Ah, poeta!
Não vês? As melhores coisas não servem
para nada. Existem. Simples assim.
Ofertam-se ao mundo, apesar de certos
seres humanos e poetas carrancudos,
a quem, aliás, não dão a mínima importância.
Ah, poeta!
Dá-me todos os versos que jogaste fora. Pesca-os
com paciência, alguns talvez não queiram retornar.
Faz com eles um buquê desajeitado e me oferta.
Adoro coisas inúteis: folhas azuis, gargalhadas,
longos pescoços que se curvam graciosos ao luar,
o esperar dos velhos à janela e
Comentário de DARCI BORGES em 6 julho 2009 às 16:04
que bonito poema, Janaina! muito, muito, muito bonito! e utilíssimo! dá vontade de sair escrevendo a torto e adireito! inspirador! o que se já jogou fora de coisas assim, não é?
manda mais desses, não os jogue fora...
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