PULSAR
"As lácteas coxas com ladrantes monstros." Virgílio, Bucólicas, Trad. Odorico Mendes
As cortesãs não beijam pagantes
não querem o teste da fraqueza
a pulsão desvelada do desejo
Querem as moedas para o vinho
e o beijo reservado ao amante
O que é real na floração do desejo
ampara-se em mãos insurrectas
a deslizar por todo corpo
pernas subindo pelas coxas
o centro do umbigo mamilos
o queixo se alonga prognata
até a escalada da boca
onde o beijo acontece poroso
Arfante e úmido o calor investe
boca contra boca eletrizadas
faíscas riscando o céu
ricochete e estalo
chicote de luz
clareia a clareira do sonho e
ela se abre lânguida ao mormaço.
O beijo pulsa em todo corpo
como um rio e suas nervuras.
Autor: Anibal Beça
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